Luverlandio Silva

Não desistiu do amor, amou-se mais.

Ela estava disposta a lutar. E lutou. Lutou demais por aquilo que acreditava ser o certo, tanto que esgotou-se em uma luta diária para mostrar, direta e indiretamente, o seu amor; até ignorou — ainda que gentilmente — a opinião e conselhos de suas amigas. Tanto se fez; tanto se desfez. Entregou-se de alma, corpo, coração. Fragmentou seu orgulho porque o que sentia — talvez e, provavelmente, ainda sinta — se fazia maior. Maior do que ela pode um dia imaginar. Porém, toda luta encontra um fim, seja na vitória, seja na derrota.

Acontece que sozinha ela nada poderia fazer. Sabe como é… quando um não quer, não há santo que faça milagre. Inclusive, desistiu de pedir a eles por mais uma chance. Ah, talvez eles estejam me ignorando porque pisei na bola, ela pensava e dialogava consigo mesma. Aceitou a derrota. Será que houve, de fato, uma derrota?, retórica recorrente em seus monólogos no cantinho preferido da sua casa: seu quarto.

Ela percebeu que não houve uma derrota. Afinal, não se perde aquilo que nunca se teve. Ela amou, se dedicou, sonhou, fez das tripas coração para fazer-lhe bem. Ela foi intensa. Verdadeira. Guerreira; em um mundo onde o descartável é a nova moda dos relacionamentos, quem se atreve a desbravar a última força por um amor — mesmo que unilateral — merece esse reconhecimento. Ela não perdeu; ganhou.

Ela sorri agora com sua própria capacidade de resistir a luta de amar sozinha, pois amar por dois é impossível e, desgastante. Não desistiu do amor, amou-se mais. Percebeu que é melhor alocar suas energias onde há interesse mútuo, do que onde há interesse apartada dela.

Luverlandio Silva

Nasceu no Piauí e cresceu em São Paulo, mora atualmente em Santo André – SP. Apaixonado pela área de exatas, mas tem o coração nas artes e escrita; trabalha e defende o meio ambiente e, as causas naturais: sentimentos; afetos; amor.

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Luverlandio Silva
Tags: amou-se

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