Não gosto de ser tratada como idiota. Acho que ninguém gosta. Muitas vezes me faço de desentendida só para ver até onde vai a maldade/coragem/cara-de-pau/picardia alheia, chamem do que quiser.

Segunda intenção é um troço chato. A pessoa te trata como um deus, um ser sobrenatural. Quer que você se sinta assim: acima da reles humanidade. Te rasga elogios, traz tudo à sua mão, não se faz de rogada quando você supõe que precisa de algo que ela possa fazer por você. No fundo, ela quer algo em troca. Ela quer você. Seja por uma noite, seja por uma semana ou por boa parte da vida. Então sempre que ela sai em sua companhia, estufa o peito, tira onda com você, como se você fosse um carro, um troféu, uma tatuagem maneira ou um peitoral definido.

Mas você capta tudo e, como tem caráter [e sabe que não vai acontecer nada além entre vocês], joga limpo. A princípio, o ser diz que entende, que aceita a condição de simplesmente poder te ver, te arrancar um sorriso, te ajudar de alguma forma. Entretanto, logo essa boa vontade celestial passa. A carne fala mais alto, a mesquinhez do homem rejeitado grita. E, da noite pro dia ou do dia pra noite, ela te bloqueia no whatsapp, se te encontra pessoalmente, trata com frieza ou não exatamente isso: ela não te bloqueia, mas com certeza passa a te tratar friamente. Não te liga, mas se você porventura ligar, ela te agride sutilmente, com indiferença, fazendo pouco caso dos seus dramas, das coisas que ela sabe que te fazem realmente sofrer.

Não sei o que é mais repugnante no ser [des]umano: se seu interesse mimetizado em boas ações desinteressadas ou se seu despeito quando se dá conta de que realmente não tem a menor chance com você.

Infelizmente, a regra é que toda relação vem com interesses camuflados e não sei se conheço alguma exceção.

Ando cansada de gente, desse lixo de mundo.

Abrir mão de certas pessoas que, a princípio são tão solícitas, é deveras libertador. Quem ataca para se defender é fraco demais para andar comigo, sorry.

Ludmila Clio

Ludmila Clio nasceu em Cachoeiro de Itapemirim/ES, em 22 de Março de 1981. Começou a escrever para sua gaveta, como a maioria dos escritores, mas furtivamente, mostrando seus escritos para amigos e professores, foi encorajada a romper com a gaveta e publicar-se. O estopim se deu em 2004, quando venceu pela primeira vez um concurso nacional de poesias, realizado no Paraná. Graduada em História e autora de 02 livros de poesia, está prestes a lançar seu primeiro livro em prosa. Mora atualmente em Campinas/SP com sua filha adolescente.

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Ludmila Clio
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