O recente acidente de avião ocorrido em Vinhedo, interior de São Paulo, que resultou na morte de 62 pessoas, trouxe grande comoção ao país. O trágico evento, envolvendo um voo da VoePass, aconteceu na última sexta-feira (9), quando a aeronave caiu no quintal de uma residência em um condomínio local.
Em uma entrevista concedida ao podcast IEL Cast, o médico legista Dr. Antônio Nunes esclareceu o que possivelmente ocorre com as vítimas em um acidente aéreo de grande magnitude. Segundo o especialista, é provável que as pessoas a bordo percam a consciência antes do impacto, o que impede que sintam qualquer dor no momento da colisão. “Quando desce de uma vez, você desmaia, perde a consciência. Então, a chance de ter alguém acordado no final daquela queda, inclusive o próprio piloto, é quase impossível. É para estar inconsciente, pela lógica”, explicou o legista.
Dr. Nunes também ressaltou que, apesar do trauma severo causado pela queda, as vítimas provavelmente já estariam inconscientes no momento do impacto: “Eles não sentiram dor. O corpo protege na queda, justamente do trauma que virá. [Ficam desmaiados], mas vivos. Ao chegar lá embaixo, com o trauma todo, vem a questão da m*rte em si”.
O diretor do Instituto Médico Legal (IML), Vladmir Alves dos Reis, reforçou essa análise ao afirmar que a causa da morte de todos os passageiros e tripulantes foi politraumatismo, resultante do impacto violento da aeronave contra o solo. “Hoje, nós temos a convicção de que todos morreram de politraumatismo. É uma certeza científica, a aeronave despencou de uma altura de 4 mil metros e, ao atingir o solo, o choque foi muito grande e todos eles sofreram politraumatismo”, declarou.
Além disso, Reis explicou que as queimaduras encontradas em alguns corpos foram consequências secundárias, ocorrendo após o politraumatismo. “As queimaduras que terminaram com a carbonização de alguns corpos foram secundárias ao politraumatismo”, completou.
O trabalho de identificação das vítimas está em andamento, e as autoridades garantem que todos os corpos serão identificados com precisão. “Eu garanto para vocês que quando esses corpos forem entregues aos seus familiares eles vão ter 100% de certeza que realmente é aquela pessoa. Nós não liberamos nenhum corpo, nenhuma pessoa, nenhum cadáver se não houver uma certeza absoluta dessa verificação, é por isso que daqui pra frente o processo vai ser um pouco mais lento”, afirmou Reis.
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