Estamos mergulhados em tantas intolerâncias e ignorâncias que, às vezes, custamos a acreditar quando alguém é gentileza com a gente.
Mas eu falo por mim quando digo que nunca consegui normalizar essa onda de maldade. Aliás, se tem algo que ainda me arruma problema é não aceitar o injusto, o intolerante pensamento individual e as emoções que beiram o ilógico, o monstruoso do ser humano.
Ninguém acorda arco-íris todos os dias, claro. Ninguém é o tempo inteiro a máxima da bondade e dos sorrisos abertos, mas é importante, pelo menos pra mim, manter esse esforço energético nos meus gestos, nos meus discursos. É pra isso que eu me cuido e tenho as minhas próprias ferramentas para recarregar e estar disponível para praticar o bem: ler, ouvir música, sentar na praça e olhar as pessoas, os prédios, sentir que pertenço e estou ali, ocupando um espaço nesse grande universo que compartilhamos. Logo, nada mais real do que retribuir com o bem.
Não precisa ser muito, não mesmo. Pode ser só um bom dia sincero. Pode ser só um sorriso sem destinatário para o outro lado da rua. Pode ser também tratando bem quem já faz parte da sua rotina, quem já transita há tempos dentro do seu coração.
E não sei como é para vocês, mas fazer o bem é essa tarefa sem objetivo, sem recompensa. É fazer por fazer e não para contabilizar afetos dos quais o mundo te devolve em dobro depois. Acho que foi pensando assim que o mal se estabeleceu nas nossas ações e reações.
Fazer o bem é mesmo importante pra mim. É quando honestamente me sinto vivo e parte da terra, do ar e do outro. Crio laços porque é mais bonito do que desatar nós.
Imagem de capa: Suraphat Nuea-on/Pexels
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