comportamento

Confiança não é saber as senhas um do outro, confiança é ter certeza de que é amado

Não é fácil lidar com ciúmes, seja do parceiro, seja do amigo, seja de quem for. Talvez não haja quem não sinta ciúmes, porém, há quem consiga manter um relacionamento saudável com esse sentimento e há quem estrague tudo por conta dele.

Na verdade, importa mais a maneira como lidamos com o ciúme do que o tanto que o outro pareça provocá-lo por conta de suas atitudes. Se sentir ciúmes é inevitável, teremos que aprender a conviver com esse sentimento, entendendo os seus porquês. Quando analisamos as causas do que nos acontece, torna-se menos complicado lidar com as consequências, torna-se possível mudar o sentido das coisas, para que paremos de sofrer.

Muitas vezes, o sentimento de posse sobre o outro é que atrapalha o bom andamento dos relacionamentos em geral. Quando achamos que temos poder sobre a vida do outro, acabamos por isentar a pessoa de autonomia, tolhendo sua liberdade. Impomos condições, exigimos concessões, sem ao menos pensar na identidade que essa pessoa tem. Importa, nesse caso, tão somente as nossas demandas: que a voz do outro sufoque, que o outro se anule – ele, afinal, é nosso.

Nesse percurso egoísta e autorreferente, a via de mão dupla, por onde deve correr a vida a dois, torna-se unilateral, ou seja, apenas um lado se mostra e se coloca, neutralizando as trocas que são essenciais na construção dos laços recíprocos e desejáveis no amor. Assim, qualquer desvio de obediência que o outro praticar será mal visto, mal recebido, mal interpretado. O ciúme excessivo faz isso: cega, prende, sufoca e diminui o que deveria ser grandioso e libertador.

E, caso o parceiro dê motivos para que haja ciúmes, conversar será preciso, no sentido de ajustar o que ainda incomoda, para que os limites da dignidade de cada um possam permanecer respeitados por ambos. Se o outro não muda, então será o momento de a gente se mudar, saindo dali. Teremos que escolher entre viver uma vida de desconfianças e de investigações paranoicas, ou encarar a dor do rompimento e nos reerguer ao encontro de alguém que possa nos amar como merecemos.

Não adianta, poderemos vigiar, fuçar, investigar e ficar atentos, porém, quando o parceiro não respeita os termos do compromisso assumido, nada impedirá que ele nos machuque da pior forma possível.

Enfim, confiança não é saber as senhas um do outro, confiança é ter a certeza de que é amado, porque essa certeza traz uma paz indescritível ao nosso coração.

***

Foto de Savs em Unsplash

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar".

Recent Posts

Às vezes, a única resposta que você precisa é observar como uma pessoa lida com um conflito

"Se eu machuco alguém, eu reconheço isso, peço desculpas e posso mudar." A frase, dita…

3 dias ago

O Vazio por Trás do Monitor: Por Que a Solidão em Jogos Online É um Sentimento Compartilhado

Em um mundo hiperconectado, milhões de pessoas sentam-se diariamente diante de monitores brilhantes em busca…

2 semanas ago

Viver é uma tarefa muito maior que sobreviver

Uma coisa que eu amo em viajar é que quando saímos do cenário habitual, conseguimos…

3 meses ago

O maior souvenir de uma viagem é a versão de nós mesmos que a gente traz de volta

Andei afastada de mim. Sem energia e desconfiada de minhas percepções, do modo como me…

3 meses ago

Attraversiamo: vamos atravessar

No final de Comer, Rezar, Amar, Liz Gilbert diz: “Eu escolhi a minha palavra: Attraversiamo. Significa: ‘vamos…

3 meses ago

Há alegrias que duram menos que um verão e, ainda assim, atravessam a vida inteira

Após assistir ao filme "A vida de Chuck", inspirado em um conto de Stephen King,…

3 meses ago