Susiane Canal

Vivemos em tempos de emoções rasas

Vivemos tempos de emoções rasas

Sentimentos abafados, formalidades, superficialidades

Talvez para nos preservar, não nos expomos

Ninguém sabe o que se passa, de fato, em nosso interior

O que estimamos, o que não curtimos , o que poderia ser diferente

Os encontros são rápidos, resumidos, formais

Saímos com a sensação de dever social cumprido, mas algo fica nos faltando

Estão em extinção visitas de fato, cartas trocadas, corações abertos, desabafos, colo, cafuné

As coisas são, no máximo, reencaminhadas, e as visitas, “on line”

Existem poucos “você é muito importante para mim”, “está precisando de algo?”, “eu te adoro!” e “posso te ajudar de alguma forma?”

São tempos de ansiedades não reconhecidas, medos camuflados, angústias maquiadas

Uma era de plena conexão digital e baixíssima conexão emocional

Cercada de relacionamentos virtuais e vazia de interações reais

Ocorre que, hora ou outra, o peso dessa “insanidade” socialmente implantada é cobrado

Para alguns mais cedo, para outros mais tarde

Para alguns de maneira sutil, para outros de maneira cruel

Mas aquela máxima é certa: pelo amor ou pela dor, vamos aprender o que precisamos

O que estamos esperando para resgatarmos a nossa humanidade?

Um “sacode” da vida? Um risco concreto? Ou uma tragédia, de fato?

Quando vamos parar de nos importar com a imagem transmitida e atentamos para a imagem interior?

Quando vamos dar uma aliviada nos objetivos materiais, financeiros e puramente sensoriais?

Quando olharemos de fato para as questões sociais que envolvem nossos semelhantes?

E, pior: quando olharemos para as nossas emoções, os nossos relacionamentos e a nossa alma, enfim?

Quando reativaremos um pouco da inocência, dos sonhos, da tranquilidade e do frescor da nossa criança interior, que nunca deixa de existir?

Um tantinho de sensibilidade, de empatia, de ações desinteressadas e de compaixão é vital para todo ser humano

Aproveitemos a época propícia do final de mais um ano para refletir sobre os valores que vêm conduzindo nosso caminho, testar novos olhares sobre a vida e reavivar a humanidade do nosso ser.

Feliz vida nova!

Susiane Canal

“Servidora Pública da área jurídica, porém estudante das questões da alma. Inquieta e sonhadora por natureza, acha a zona de conforto nada confortável. Ao perder-se nas palavras, busca encontrar um sentido para sua existência...”

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