Recentemente participei da formatura de uma prima, numa quarta-feira, distante 300km da minha casa. Peguei o carro e fui. Sozinha, eu e minhas músicas. Encontrei primos que não via há anos, abracei a tia que aos 96 ainda sabe quem eu sou, comemorei, sorri e chorei (de alegria). Esforcei-me para estar presente. E como valeu a pena!

“Vá aos encontros felizes”, eu sempre penso. Pode ser complicado, difícil, caro. Pode ser uma viagem longa (ou até pode ser ali do lado mas bate aquela vontade de sofá). “Vá!” Tem festa de 80 anos da tia? “Vá!” Aniversário do filho dos amigos? “Vá!” Encontro de 20 anos da sua formatura? “Vá!” Amigo secreto das amigas de infância, casamento do primo, show da sua banda preferida? “Vá!” Pega o carro, o ônibus, o avião… pega carona! Fica no hotel, na tia, agora tem airbnb! Parcela a passagem, combina com a sócia uns dias de folga, dá um jeito! Sabe por quê? Porque nos encontros tristes você irá. Quando alguém morre todos vão. Por protocolo, por obrigação ou por amor (e dor). As pessoas vão, se esforçam. Pedem folga no trabalho, deixam as crianças com a avó, levam as crianças, cancelam a reunião, transferem as entregas. E todos se reúnem e se abraçam e choram juntos. E é bonito isso. E é bom que seja assim. Mas é bom que seja assim também, e, principalmente, nos momentos felizes. É bom estar junto nas comemorações, nas conquistas, nas festas que brindam a vida! Dando risada com os amigos, relembrando as histórias de família, deixando-se levar pela alegria despretensiosa dos momentos bons. Penso que assim vamos juntando as peças na melhor coleção que a vida tem a oferecer: a dos encontros felizes!

“Vamos?”

Mônica Moro Harger

Arquiteta, tia, madrinha de sete. Apaixonada por gente e palavras, desde cedo fez dos “escritos” uma forma de homenagem: à vida, à família, aos amigos. No início de 2018 reuniu alguns textos no facebook e ganhou leitores assíduos, mais amigos e novos sonhos. Desde então, divide os projetos com as palavras - além do cinema com os afilhados (um ou dois de cada vez) e do café com a “menina da sala ao lado”. Vive em Curitiba, onde coleciona memórias, ímãs de viagem e recados na geladeira.

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Tags: encontros

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