Mentiria se dissesse que antecipo a espessura dos meus calos e os segundos que antecedem os abismos;
que prevejo as tempestades e sei me ser abrigo antes que elas desaguem pelos olhos;
que confio nas direções que apontam meus mapas rasurados pelo desencanto.
Eu me atrapalharei ao distribuir corretamente o fôlego;
correrei maratonas num dia,
e, noutro, estarei ocupada dando colo à melancolia.
Carregarei, por vezes, bagagens
que nem são minhas,
resistentes que são meus ombros em aprender a descartá-las.
Mas sei que nunca faltará poesia nos meus pulmões,
que minhas retinas serão sempre fiéis fabricantes de milagres,
e minhas mãos se entrelaçarão por inteiro àquelas dos que escolheram caminhar ao meu lado.
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