a riqueza tem gosto, cheiro e cor.
geralmente algo bem doce e de cor reluzente,
tipo as lojas de maquiagem de grife com sua iluminação característica,
as frases fortes e a batida das músicas que parecem ser sempre todas absolutamente iguais.
salas onde todos os produtos são iguais, inclusive aqueles que andam e respondem se vai ser no débito ou crédito, não precisa da minha via, obrigado.
entrar em um shopping center é ser arrastado e puxado por todos os lados.
é o rímel que te deixa irresistível,
é o sutiã que faz os homens caírem aos seus pés,
é a comida deliciosa sem a qual você não pode continuar vivendo.
todos os livros têm as grandes soluções para todas as crises humanas,
todas as roupas revestem e expressam perfeitamente o seu jeito de ser,
todas as mensagens espalhadas preenchem perfeitamente todo o seu vazio existencial e
é claro,
tudo isso pelo preço do salário da funcionária que te atende e pega 3 ônibus para chegar até você, com uma simpatia falsa e forçada que a obrigam exibir.
estamos todos travestidos por roupas, objetos, cores e cheiros não inatos,
não humanos,
disfarçados de animais mentirosos, enganados e com os olhos brilhando pela oferta imperdível.
im
per
dível.
queria muito conseguir entender o que é que não se pode perder ali.
imperdível,
bombástico,
incrível,
sedutor,
acumule,
lucre,
compre,
seja.
o consumismo consome almas e nos deixa vazios,
vagando sem rumo de olhos tapados em meio a corredores de objetos inúteis, relações fúteis e mentes dominadas
pelo mundo
do Capital.
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