a riqueza tem gosto, cheiro e cor.

geralmente algo bem doce e de cor reluzente,

tipo as lojas de maquiagem de grife com sua iluminação característica,

as frases fortes e a batida das músicas que parecem ser sempre todas absolutamente iguais.

salas onde todos os produtos são iguais, inclusive aqueles que andam e respondem se vai ser no débito ou crédito, não precisa da minha via, obrigado.

entrar em um shopping center é ser arrastado e puxado por todos os lados.

é o rímel que te deixa irresistível,
é o sutiã que faz os homens caírem aos seus pés,
é a comida deliciosa sem a qual você não pode continuar vivendo.

todos os livros têm as grandes soluções para todas as crises humanas,

todas as roupas revestem e expressam perfeitamente o seu jeito de ser,

todas as mensagens espalhadas preenchem perfeitamente todo o seu vazio existencial e

é claro,

tudo isso pelo preço do salário da funcionária que te atende e pega 3 ônibus para chegar até você, com uma simpatia falsa e forçada que a obrigam exibir.

estamos todos travestidos por roupas, objetos, cores e cheiros não inatos,

não humanos,

disfarçados de animais mentirosos, enganados e com os olhos brilhando pela oferta imperdível.

im
per
dível.

queria muito conseguir entender o que é que não se pode perder ali.

imperdível,
bombástico,
incrível,
sedutor,
acumule,
lucre,
compre,
seja.

o consumismo consome almas e nos deixa vazios,

vagando sem rumo de olhos tapados em meio a corredores de objetos inúteis, relações fúteis e mentes dominadas

pelo mundo

do Capital.

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Thaís Amaral
Thaís Amaral tem 22, mora no interior de SP e publica os murmúrios de seu mar de dentro no blog Sereia no Aquário (sereianoaquario.wordpress.com).

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