Guilherme Moreira Jr.

Aprendi a deixar as pessoas irem embora

Algumas pessoas entram em nossas vidas para ficarem. Outras, apenas para serem passagens. É importante você ter isso bem claro no coração. Que tem gente que achamos que ficarão pra sempre ao nosso lado, mas, na verdade, elas estão cumprindo um propósito. Elas foram intervalos que a vida introduziu para sabermos valorizar quem já está conosco ou quem ainda vai chegar.

Porque às vezes as pessoas somam e, noutras, elas simplesmente somem. E o quanto antes você perceber que não faz sentido perder o sono, a leveza e entrega de seguir em frente por causa daquelas que escolheram partir, melhor. Não se maltrate ou deixe de assumir que é necessário mudar o rumo. Quando você aprender que as relações mais próximas que terá na vida são aquelas que não te privam da liberdade, todo o seu mundo ganhará um novo fôlego.

Quem desistiu de te acompanhar e de fazer parte dos instantes presentes, deixe ir. Deixar ir embora não é um atestado de desinteresse. Quando você entende que manter um certo desprendimento de algumas pessoas é necessário, você descobre como valorizar quem realmente está por perto. Tem gente que não vale o esforço. Tem gente que não feita para caber em nos nossos caminhos. E tudo bem. Tudo bem mesmo. A última coisa de que você precisa é de implorar presenças. E é em algumas ausências que você determina quem merece a sua cumplicidade e tempo. Talvez algumas pessoas que partiram tenham deixado algo de bom. Talvez algumas delas tenham te proporcionado memórias e saudades legítimas. Mas talvez outras tantas não tenham importado ao ponto de deixarem qualquer coisa que mereça ser mencionada. Nessas horas, os motivos não justificam os laços.

Só me promete isso, não trave os sorrisos por quem quis partir. Não se feche para novos encontros e tampouco dispense abraços. Às vezes a vida coloca notas de rodapé em nossos pensamentos para que nos lembremos dos vínculos que agregam. E ainda que eles não sejam constantes, você sabe que pode contar com eles. Você reconhece que eles combinam com a sua intensidade. É esse tipo de gente que nunca vai embora. É esse tipo de gente que está sempre em harmonia com os nossos melhores e piores dias.

Aprendi a deixar as pessoas irem embora por sentimento próprio. Não aprendi por orgulho ou descaso. Apenas entendi que soa bem mais sincero quando a gente consegue ser lar perto de quem tem a intenção de permanecer. Os que disseram adeus, carrego segundos. Os que ficaram e ainda podem chegar, carrego tudo de mim.

Imagem de capa: Alena Ozerova, Shutterstock

Gui Moreira Jr

"Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro"

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Gui Moreira Jr

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