Mais difícil que dizer adeus, é manter esse adeus. O adeus não prevê a intensidade da saudade que virá e muito menos por quanto tempo a falta se estenderá. O adeus é vazio e representa um ponto final. Mas a vida é muito mais complexa do que pontos finais. Adeus é ao mesmo tempo a dureza incômoda da interrogação e é também as conflitantes e controversas reticências. Adeus é seguir mesmo sem saber. Sem saber se o amor deixará de existir, se a dor da falta nos dará trégua, se o coração acabará por se acalmar. Adeus é um tiro no escuro que a gente espera desesperadamente que acerte o alvo. O alvo do adeus é o esquecimento. Mas é tudo tão incerto e não há garantias como aquelas que nos oferecem quando compramos um smartphone novo. O adeus é se apoiar na razão, aliás, é muito mais do que isso, adeus é apostar na razão, mesmo sabendo que a qualquer hora o coração pode pôr tudo a perder, ou a ganhar, ao trair o nosso propósito inicial e tentar reverter a decisão que até então era a mais acertada.
Imagem de capa: Pop Paul-Catalin, Shutterstock
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