Marcel Camargo

Troque o “não foi isso que eu disse” pelo “entenda como quiser” e seja mais feliz

Imagem de capa: ImYanis, Shutterstock

Uma das atitudes mais inúteis é varrer as folhas enquanto ainda venta e, da mesma forma, não adianta tentar argumentar com quem não ouve, nem tentar agradar a todos, porque ninguém consegue ser unanimidade.

Quanto mais amadurecemos, menos nos importamos com algumas coisas que percebemos serem perda de tempo e com algumas pessoas que simplesmente não mudam por nada nem por ninguém. A maturidade traz essa calma e essa aceitação que nos tornam menos afoitos, menos nervosos, porque vamos aprendendo a dar tempo ao tempo, sem a pressa característica dos jovens que querem tudo para ontem.

Amadurecer é se importar com o que realmente importa, com quem não se nega a rever o que disse ou o que fez, enfim, com o que tem chances de trazer algum resultado. A gente se cansa de bater em tecla furada, de insistir no que não vislumbra futuro algum, de dar importância a opiniões desnecessárias de quem é especialista em perturbar ambiente e em azucrinar a paciência alheia.

Isso porque passamos a entender que cada pessoa irá conceber as coisas à sua maneira, devolvendo na medida exata do que possui dentro de si, nada mais, nada menos do que isso. De nada adianta esperar das pessoas algo além do que elas serão capazes de ofertar e, quanto mais o tempo passa, mais aptos estaremos para discernir o que cada um pode e não pode, aceitando as limitações do que nos rodeiam.

Nem todo mundo está preparado para ouvir o que temos a dizer e a receber o que temos a ofertar. Por essa razão, com o tempo passamos a direcionar nossas energias em direção a terrenos férteis, ignorando a aridez afetiva de gente egoísta, que não consegue enxergar além de suas parcas limitações. Perdemos o medo de mudar, de ousar, de deixar coisas e pessoas para trás, porque não tememos mais o erro. Errar pode ser bom, fazer bem.

Quando amadurecemos, conseguimos perceber que nem sempre estaremos certos, que nem todo mundo irá gostar de nós, que o mundo não gira ao redor de nossas cabeças. Entendemos que somos ínfimos perto da grandeza do universo, mas que nossas ações podem alcançar um número incontável de pessoas, seja quando acertamos, seja quando erramos. E isso nos habilita a exercer a empatia com mais frequência.

Uma das atitudes mais inúteis que existem é varrer as folhas enquanto ainda venta e, da mesma forma, não adianta tentar argumentar com quem não ouve, nem tentar agradar a todos, porque ninguém consegue ser unanimidade. Enfim, buscar estar bem consigo mesmo é o melhor a se fazer, visto que é assim que estaremos prontos a receber o melhor e o pior de cada um, guardando o que for útil e jogando fora o que for imprestável.

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar".

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