Marcel Camargo

O amor deles não estava estampado nas vitrines, mas dentro de seus corações

Imagem de capa: Bogdan Sonjachnyj, Shutterstock

Ninguém sabia o quanto eles eram cúmplices, parceiros, o quanto haviam batalhado um pelo outro, o quanto lutavam para se entenderem, o medo que tinham de se perderem um do outro, porque, na verdade, não se preocupavam com o que os outros achavam. Ninguém imaginaria, mas nem precisava, pois eles tinham certeza.

Ninguém sabia o quanto eles eram cúmplices, parceiros, fiéis um ao outro, respeitando-se com afeição mútua e sincera. Conheciam-se como ninguém e sabiam exatamente do que o outro precisava, pois se doavam com inteireza, enxergando-se com os olhos do parceiro. Ninguém podia imaginar, mas eles tinham certeza.

Ninguém sabia o quanto haviam batalhado um pelo outro, na esperança de que ficassem juntos, apesar de tudo, a despeito de todos. Desde o início, dispuseram-se a se despir de quaisquer amarras, tornando-se livres e libertos de entraves carregados de orgulho e de incompreensão. Despiam-se, além das roupas, fundo na alma. Ninguém podia imaginar, mas eles tinham certeza.

Ninguém sabia da capacidade de entrega a que se dispunham, o quanto lutavam para entender, compreender e aceitar o outro, naquilo que ele tinha de bom e de ruim, pois visavam ao encontro do fim de noite, em que a escuridão abafa as falhas e eleva o contato, a aproximação, a fusão mágica das almas em comunhão. Ninguém podia imaginar, mas eles tinham certeza.

Ninguém sabia que choravam, decepcionavam-se, amargavam a dor da quebra de expectativas, do afogamento das promessas, do silêncio que dilacera. Desciam juntos ao fundo do poço, para então recobrar os sentidos e reforçarem a intensidade da imensidão a que se alargava sua paixão, como que se necessário sorverem as delícias da bonança que ressuscitava o amor em meio à tempestade que se ia. Ninguém podia imaginar, mas eles tinham certeza.

Ninguém sabia que eles também tinham medo de se perderem um do outro, de que a dureza fria da rotina diária imprimisse o afastamento entre suas vidas. Mas lutavam, eram verdadeiros guerreiros, quando se tratava de resguardar a pureza do amor transbordante de que se alimentavam. Sempre voltavam um para o outro. Viciaram-se um no outro, da pior e da melhor forma possível. Ninguém podia imaginar, mas eles tinham certeza.

Ninguém podia imaginar, porque não se preocupavam com o que os outros achavam, tampouco inundavam as redes sociais de fotos ou declarações, ocupados que estavam em serem par, serem seus, serem o que vinha de dentro de si mesmos, serem um do outro. Ninguém imaginaria, mas nem precisava, pois eles tinham certeza.

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar".

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