Imagem de capa: Jacob Lund, Shutterstock
Infelizmente, o que está faltando na gente não é distribuir proximidades. Até tentamos ser mais gentis, carinhosos e receptivos com quem chega mais perto, mas não tarda muito para que retiremos o time de campo. Não sei quando foi que passamos a economizar mais de nós, mas seria tão bom se a gente entregasse mais do que pedimos em troca.
Evitamos muito e somos pouco, esse é o problema. Cadê o sentir de perto, sem armaduras, qualquer coisa que outro tenha para demonstrar de bom? Não é só saber aproveitar o cafuné, as mãos dadas e os momentos divididos em dias alegres. É, com o pacote completo, entender dos problemas, tristezas e ansiedades de quem se gosta. É passar mais tempo querendo estar e não fugir. Não é fraqueza assumir que precisa e, certamente, não é covardia desejar novas permissões.
Afetos são pontes emocionais criadas com a intenção nos tornarem mais humanos. Mas somente quando os entregamos, por amor próprio, é que enxergamos o especial, o diferente.
Chega de termos medo. Chega de acolhermos distâncias em vez de encurtá-las. O que falta na gente é viver no presente. A vida é tão mais bonita quando entregamos inteiros do nosso amor. Quem sabe assim, afetos deixem de ser apenas palavras e entregas não terminem guardadas num canto solitário, esperando alguém a chamar por ela.
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