Imagem de capa: ArtFamily, Shutterstock

Sigo por caminhos, atalhos e matas inexploradas. Meus guias são a intuição e a brisa do (a)mar.

Paro e me demoro quando encontro no meio do caminho picos de visão ampla e clara.

Sigo a borboleta amarela que se perde no meio da mata fechada, vou atrás dela sem medo de me perder e continuo seguindo-a por um bom tempo, mesmo depois de tê-la perdido de vista. Pelos sentidos continuo sentindo o rastro dela dentro de mim. E eu sigo neste caminho até que se esgotem presença e lembrança.

Quando a beleza acaba, eu paro, respiro, medito. E quando estou pronta novamente, ouso espiar novas vidas renascendo.

Então eu sigo as pegadas de bicho grande e desconhecido só para, com o coração descompassado outra vez, encontrar olhares selvagens e misteriosos que me fazem me perder num mar de encantamento.

Sigo com o pensamento as curvas dos tantos galhos da árvore idosa, retorcidos e altos, tentando alcançar o céu. Eu vou com eles.

Sigo a dança das nuvens que criam histórias para depois desmancha-las no tempo. As formas sendo desfiguradas pelo vento. A vida em movimentos constantes, formando outras imagens, paisagens e sentimentos. Para depois desmanchar tudo outra vez.

Sigo o barulho do mar, mesmo sem vê-lo. Será que existe? Será que eu o encontrarei? Sigo o seu cheiro que vem e vai como o balanço das marés.

Sigo a beleza de uma mão estendida e de um sorriso vivo que me trazem momentos de certeza e alegria por poderem me mostrar um percurso que eu não conhecia. Sigo de mãos dadas por um tempo.

Sigo os encantos, os instantes que me tocam, por isso não posso te contar qual é a fórmula do meu caminho, não sei dar as coordenadas, não sei dizer se é calmo ou labiríntico, não sei dizer se é seguro. Não sei dizer se me encontro ou se me perco.

Só posso dizer que eu sigo o que me amplia a visão, o que me desperta e instiga e mesmo que por vezes eu morra, renasço ainda mais viva.

Eu sigo apenas o que me inspira.

Clara Baccarin

Clara Baccarin escreve poemas, prosas, letras de música, pensamentos e listas de supermercado. Apaixonada por arte, viagens e natureza, já morou em 3 países, hoje mora num pedaço de mato. Já foi professora, baby-sitter, garçonete, secretária, empresária... Hoje não desgruda mais das letras que são sua sina desde quando se conhece por gente. Formada em Letras, com mestrado em Estudos Literários, tem três livros publicados: o romance ‘Castelos Tropicais’, a coletânea de poemas ‘Instruções para Lavar a Alma’, e o livro de crônicas ‘Vibração e Descompasso’. Além disso, 13 de seus poemas foram musicados e estão no CD – ‘Lavar a Alma’.

Share
Published by
Clara Baccarin

Recent Posts

Viver é uma tarefa muito maior que sobreviver

Uma coisa que eu amo em viajar é que quando saímos do cenário habitual, conseguimos…

1 mês ago

O maior souvenir de uma viagem é a versão de nós mesmos que a gente traz de volta

Andei afastada de mim. Sem energia e desconfiada de minhas percepções, do modo como me…

1 mês ago

Attraversiamo: vamos atravessar

No final de Comer, Rezar, Amar, Liz Gilbert diz: “Eu escolhi a minha palavra: Attraversiamo. Significa: ‘vamos…

1 mês ago

Há alegrias que duram menos que um verão e, ainda assim, atravessam a vida inteira

Após assistir ao filme "A vida de Chuck", inspirado em um conto de Stephen King,…

1 mês ago

Os Benefícios de Ter Hobbies Online: Apostas e Jogos com Equilíbrio

Nos dias de hoje, os hobbies online fazem cada vez mais parte da rotina de…

4 meses ago

Como os Jogos Online Podem Estimular a Mente

Durante muito tempo, os jogos online foram vistos apenas como uma forma de entretenimento leve,…

4 meses ago