Marcel Camargo

Se o parceiro não muda, muda de parceiro

Imagem de capa: Ann Haritonenko, Shutterstock

Nós nos apegamos com certa facilidade a coisas e a pessoas, tomando como parte de nossa vida muito do que nem deveria estar junto, mantendo o que machuca, por medo, covardia, por ter que dar satisfações aos outros, ao mundo.

Parece impossível saber com exatidão o momento exato em que nada mais adiantará, em que tudo já foi feito, dito, revisado, explicitado, em que é hora de sair de um relacionamento que expirou de vez. Queremos dar certo na vida, no trabalho, no amor, por isso nos custa demais terminar com algo definitivamente, porque dói falhar assim, dói demais.

Nós nos apegamos com certa facilidade a coisas, a pessoas, tomando como parte de nossa vida muito do que nem deveria estar junto, mantendo o que machuca, por medo, covardia, por ter que dar satisfações aos outros, ao mundo, enquanto ficamos a cada dia menores, acumulando o vazio de um relacionamento de mão única, amando por dois, pedindo, clamando, doando sem retorno, sem guarida, sem volta.

E os dias vão se passando como nuvem, fugidios, superficiais, carregados de uma ausência doída de afeto e de atenção. E vamos como que nos arrastando, trabalhando, agindo mecanicamente, carentes de ao menos um olhar que retorne sentimento, carentes de abraço, de beijo, de “bom dia” e “boa noite”. A cada dia, ficamos menos gente, vivemos menos amor, ao passo que nutrimos uma falsa e tola esperança de o outro vá mudar – porque a gente já mudou tanto por ele…

Inevitavelmente, chegaremos a um ponto em que já teremos tentado de tudo, já teremos avisado repetidamente, mostrado, já teremos gritado exaustivamente, até terem sido esgotadas todas as forças, todas as possibilidades, todo e qualquer caminho, toda e qualquer tentativa. Sem ânimo, alquebrados, aniquilados emocionalmente, sem ter onde agarrar, tomaremos, então, consciência de que é chegada a hora de sair daquilo tudo, de praticar o adeus, o nunca mais.

Quando ainda amor houver, quando o sentimento ainda estiver ali, sufocado pelo cotidiano, mas disposto a reavivar-se, sempre deveremos tentar e lutar pela manutenção do que já construímos a dois. Entretanto, se somente existe vida de um lado, mesmo após as súplicas e insistências de um só, ali o amor não mais florescerá, pois não há mais cor que se instale em terreno infértil, onde não se semeia reciprocidade.

Não esquecer: ainda há muito pela frente a ser vivido com alguém que realmente lhe dê as mãos e volte os olhos para você. Acredite!

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar".

Share
Published by
Marcel Camargo

Recent Posts

Os Benefícios de Ter Hobbies Online: Apostas e Jogos com Equilíbrio

Nos dias de hoje, os hobbies online fazem cada vez mais parte da rotina de…

2 meses ago

Como os Jogos Online Podem Estimular a Mente

Durante muito tempo, os jogos online foram vistos apenas como uma forma de entretenimento leve,…

2 meses ago

Apostar também é viver o jogo com outra intensidade

O futebol sempre foi emoção, imprevisibilidade e paixão. Durante muito tempo, o papel do adepto…

2 meses ago

Como ler o mercado de apostas: tendências e movimentos de odds

No universo das apostas desportivas, compreender o mercado é tão importante quanto escolher um bom…

2 meses ago

Psicóloga em Socorro (SP): EMDR e psicoterapia com Josie Conti (presencial e online)

Psicóloga em Socorro (SP): Josie Conti atende presencial e online com EMDR e psicoterapia psicodinâmica.

5 meses ago

Recomendações para começar a jogar em 2026 como um verdadeiro especialista

Entrar no mundo do casino online pode parecer simples à primeira vista, mas quem quer…

6 meses ago