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Durou apenas uma noite, mas foi amor.

No primeiro olhar dela eu já notei um brilho diferente. Ela tinha um sorriso irradiante e as mãos gesticulavam como música. Fiquei hipnotizado no exato instante que meus olhos pousaram nos dela e ali me perdi. Um drinque e a conversa corria fluente, as ideias rimavam e o jeito dela se revelar foi aumentando o mistério por trás daqueles longos cílios. Uma dança e o corpo bailava diante de olhos que tentavam decifrar os segredos daquela dama. As mãos se procuravam e o toque macio me arrancou suspiros silenciosos. Era encantamento.

Opiniões que combinavam, conceitos que discordavam e a gente foi se descobrindo em uníssono. A perspicácia dela foi dominando minha inspiração e eu a desejei com urgência. Os membros se tocavam comedidos, mas a veemência dos instintos aguçava o oculto paladar. O sabor das palavras, o som do perfume, o toque do aroma, a imagem do contato. Os sentidos se confundiam numa alquimia de elementos sobrenaturais.

Ela era o contraste que correspondia a minha discordância habitual. Um olhar que sorria e uma boca que encarava. Ela era a personificação do que minha alma ansiava para uma noite de exílio. Um salto em queda livre sem rede de proteção. Asas que batiam em liberdade. Era uma força da natureza que, com leveza, conduzia minha essência ao mais profundo impulso selvagem. Ela me fez homem.

Uma cama, dois corpos e uma metamorfose que transformava matéria em magnetismo. O encaixe exato de duas almas que, sedentas de deleite, saciaram o querer. Suor, atrito e clamor. Peles que conectavam conteúdos intrínsecos. Mãos que tateavam o desenho carnal de indivíduos incendiando lençóis. Beijos mordiscados e o descortinar da intimidade. Criaturas atrevidas que abrigaram o desejo com entusiasmo.

O repouso depois do deleite e minhas pálpebras descansaram no colo da delicadeza. O sol desapontou na fresta da janela e ela havia partido. Não sei seu nome, seu número ou seu destino. Não importa, ela viveu aqui, dentro de mim. Durou uma noite, mas foi amor. Genuíno.

Monika Jordão

Atriz, escritora e paulistana. Acredita que o papel reflete mais do que o espelho. Apaixonada por livros, futebol, tequila, café e Coca-Cola. Buscando sempre o equilíbrio emocional e os amores inesquecíveis.

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Monika Jordão

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