Por Renata Sagaz
Eu sempre procurei o príncipe encantado. Aquele que me faria declarações à luz da lua, que abriria a porta do carro, puxaria a cadeira pra eu sentar, que escreveria bilhetinhos fofos, que me faria surpresas e viveria pra me fazer feliz. Assim simples, como todo conto de fadas poderia ser.
Mas a vida não é um conto de fadas.
A vida é melhor. Se você aprender a deixar para trás a vida que idealizou para dar espaço à vida que lhe espera.
Tudo é uma questão de expectativas irreais. A gente cresce vendo os comerciais de margarina, a barbie perfeita, as princesas da Disney, e acha que tem que se enquadrar nesse padrão. Aí você cresce e percebe que nem tudo é, nem precisa ser, assim tão perfeito. Aliás, o que é a perfeição?.
Aceitar que não precisa se casar até os 25, ter filho até os 28 e ter uma carreira sólida antes de chegar aos 30 faz você ser mais livre. Faz você ser mais leve. Ou deveria fazer. Não que fazer tudo isso e seguir o padrão seja errado. Ao contrário, é perfeito quando você QUER. Entende a diferença? Você não PRECISA querer se você não QUISER.
É difícil abandonar tudo o que a gente cresceu aprendendo para acreditar num futuro incerto, com a liberdade de ter a vida que você quiser, sem tantos padrões. Não é fácil ter um mundo de possibilidades. Por isso sofremos tanto. Escolher é sempre ter que abandonar algo, e isso dói.
Acredito que a nossa geração cresceu entre dois mundos. O mundo de crescer, estudar, conhecer alguém, e ser feliz. E o mundo de que você pode ser o que quiser, na ordem que bem entender, e que tudo só depende de você. O que significa que você pode se casar aos 20, aos 30, aos 40, aos 50, ou simplesmente não casar. Parece simples, mas não é!
Até entendermos e fazemos todos entenderem que podemos escolher, nós sofremos nesse limbo. O coração na mão de decepcionar aqueles que depositam expectativas em tudo que podemos ser e fazer contra a vontade que pulsa dentro da gente de fazer e ser o que nos dá vontade, o que nos deixa feliz.
O lado bom é que isso está mudando. Nossos filhos e netos conhecerão um mundo com menos padrões e mais escolhas.
Pelo menos é o que eu espero.
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