Eu aprendi o verdadeiro gesto do autoamor quando comecei a me abraçar. Quando tomei a minha vida em minhas mãos e dei a ela o cuidado necessário. Limpei o que empoeirava a estante dos meus sentimentos e tirei tudo o que me desconectava. Nos meus próprios abraços aprendi a me pertencer, a me valorizar e a me reconectar com o que carrego dentro de mim.
Aprendi o gesto magnânimo do autocuidado, onde pude me pertencer para me transbordar para o outro. Quando aprendi o valor do meu próprio sol-riso, descobri as portas que me abriam para o paraíso. Repousei a minha poesia no bem querer que a vida nutre por mim a todo momento. Me estendendo e me levando a sonhos mais bonitos do que ousei sonhar. Descobri que me cuidar faz o meu coração se alegrar e transbordar, ao invés de se encolher e só pedir. Mas precisei me mergulhar e sentir cada emoção que pulsei, cada medo que desabei, cada tempestade que derramei.
E ainda preciso encarar meus próprios furacões, beijar desilusões e afagar minhas próprias asas. Porque o autoabraço a gente aprimora com o dedilhar do tempo, sem pressa, sem lamento. Estendendo bem os braços e os aproximando do nosso coração. Tentando adoçar todos os dias, a trilha da vida que suaviza quando conjugamos o verbo cuidar.
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