Se entrega, vai!

Imagem de capa: nd3000, Shutterstock

Tá com medo do quê? Alguém andou lendo “Não se apega, não”? Relaxa, vai! Na teoria, tudo isso é até bonito, sujeito é forte, pega e não se apega. Mas meus melhores textos vieram da delícia de perder o controle e deixar-se. É claro que a vida seria bem mais fácil se você pudesse se proteger. Até andei discursando sobre se privar e guarda-se pra si já que quanto mais o mundo lá fora te conhece mais vai te atingir. Esquece tudo isso e se entrega, pois o amor se reproduz à medida que você dá!

Quando pequeno, pulei na poça d´água, levei chute de cavalo, peguei micose da lama no fundo do quintal, arranhões, chineladas, castigo, roxos e cicatrizes que ainda levo comigo e, só rio. Comparado aos meninos da vizinhança, exageradamente protegidos pelas mães, eu sei bem lidar com a vida, seus devaneios e o quanto sair de casa nos possibilita o risco de sofrer. Mas da minha janela o pôr sol não tem sentido. Um dia, sentado com meus filhos quero ter boas histórias pra contar, deixar que vivam na propaganda do sabão em pó, com a sensação de que a gente joga tudo numa máquina de lavar e se resolve. Porque de fato é assim, a vida não é lá um bicho de sete cabeças e nem todas as histórias de amor vão partir seu coração. Então se entrega vai!

Quem disse que não dá pra voltar, quando uma história que aparentava ter ponto final, colocou uma discreta vírgula cheia de amor? Quem disse que você não pode acelerar o carro e se entregar a um amor que começa de um jeito intenso e sem muitos planos? – Dos planos cuida depois. Quem disse que você não pode encontrar o amor da sua vida num beijo de balada. – Pode sim! Não proteja sua bunda dos pés, nem proteja seu coração de possíveis danos, faça seguro de vida, mas abra seu coração e seu cobertor pra novos amores chegarem, surpreenderem e talvez, só talvez irem embora. – Alguns ficam! Não tenha medo do amor não, prepare um jardim, prepare um chá, prepare sua vida para que o amor inunde e leve tudo como uma grande onda, pois só uma onda de amor lava a alma.

Eu queria dizer, tenha calma, use camisinha, beba pouco, transe depois do terceiro encontro, não coma fast-food nem caia num balde de nutella, jamais apresente pros seus pais antes de um pedido oficial e nunca, em hipótese alguma, mude o status do Facebook. Mas eu só sei ser acelerado, então vai, se entrega, se joga. Tenha histórias pra contar. Não sofra por antecipação, vai por mim, suas amigas não entendem nada de relacionamentos, não o suficiente pra te dizer o que fazer. Best Sellers são pra gente frustrada. Eu vou escrever, SE APEGA SIM, se entrega sim, porque você vai se arrepender só daquilo que não puder sentir, abre seu coração. Em uma rara hipótese, seu amor vai bater a sua porta pra te entregar pizza, então … E aquele vestido que você ainda não usou? Vai pra rua, sai pra vida! Se entrega vai! Ninguém morre de amor!

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Giovane Galvan
Giovane Galvan é taurino, apaixonado e constantemente acompanhado pela saudade. Jornalista, designer, produtor e redator, escreve por paixão. Detesta futebol e cozinha muito bem. Suas observações cotidianas são dramáticas e carregadas de poesia. Gosta do nascer e do pôr do sol, da noite, mesas de bar e do cheiro das mulheres pra quem geralmente escreve. Viciado em arrancar sorrisos, prefere explicar a vida através de uma ótica metafórica aliando os tropeços diários a ensinamentos empíricos com a mesma verdade que vivencia. Intenso, sarcástico e desengonçado, diz que tem alma de artista. Acredita que bons escritos assim como a boa comida, servem de abraço, de viagem pelo tempo e de acalento em qualquer circunstância.

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