Embora o sono seja essencial para todos, estudos indicam que as mulheres precisam dormir mais do que os homens, e isso não é uma simples questão de escolha.
Fatores biológicos e hormonais desempenham um papel crucial nessa diferença, conforme explica Sofia Furlan, especialista em Fisioterapia Respiratória e Fisioterapia do Sono, da Resmed.
De acordo com Furlan, que deu uma entrevista ao Terra Você, as mulheres têm ciclos circadianos ligeiramente mais curtos, o que faz com que precisem de um tempo extra de sono para compensar. “Essas diferenças são influenciadas pelas transições hormonais ao longo da vida, como os ciclos menstruais, gravidez e menopausa, afetando a qualidade e o padrão de sono”, comenta. Em média, elas dormem cerca de 20 minutos a mais que os homens, refletindo uma necessidade biológica distinta.
Embora as mulheres passem mais tempo no sono profundo, sua qualidade pode ser comprometida por vários fatores, como as oscilações hormonais e o estilo de vida. Isso faz com que elas tenham mais dificuldade para adormecer e acordem com mais frequência durante a noite. “Desde a menarca, as mulheres experimentam flutuações nos níveis de progesterona e estrogênio, o que pode causar insônia, sono fragmentado e sonolência diurna, principalmente na fase lútea do ciclo menstrual”, destaca Furlan.
Durante a gravidez, as dificuldades para dormir são ainda mais comuns, com cerca de 80% das mulheres relatando problemas de sono devido ao ganho de peso, deslocamento do diafragma e inchaço, o que pode aumentar o risco de apneia e insônia. Após a gravidez, na menopausa, ondas de calor e a queda nos níveis de progesterona podem interromper o sono e elevar o risco de apneia obstrutiva.
Além dos fatores hormonais, a sobrecarga mental e emocional também influencia na maior necessidade de descanso das mulheres. A soma de responsabilidades profissionais e familiares exige um descanso adicional. Para aliviar esses efeitos, Furlan recomenda algumas práticas que podem melhorar a qualidade do sono. “Manter uma rotina de sono consistente, evitar o consumo de cafeína, limitar cochilos durante o dia, e praticar exercícios em horários adequados são boas estratégias. Em casos mais graves, tratamentos como reposição hormonal ou o uso de aparelhos como CPAP podem ser necessários”, sugere.
A American Heart Association recomenda de sete a nove horas de sono por noite, mas apenas uma pequena parte das mulheres consegue atingir essa quantidade regularmente. Para melhorar a qualidade do sono, a especialista dá algumas dicas importantes:
Estabelecer uma rotina de sono: Manter horários regulares para dormir e acordar.
Criar um ambiente adequado para o sono: O quarto deve ser escuro, silencioso e ter uma temperatura confortável.
Evitar estimulantes: Reduzir a ingestão de cafeína e evitar refeições pesadas ou álcool antes de dormir.
Relaxar antes de dormir: Práticas como meditação, leitura ou tomar um banho quente podem ajudar a preparar o corpo para o sono.
Buscar ajuda médica quando necessário: Consultar especialistas em sono para problemas como insônia ou apneia pode ser fundamental para melhorar o descanso.
“Aliando essas estratégias ao conhecimento sobre as necessidades hormonais e biológicas das mulheres, é possível melhorar a qualidade do sono e alcançar um descanso mais reparador”, conclui Furlan.
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