É preciso deixar as pessoas livres. É necessário construir uma existência em que os laços se formam naturalmente, delicadamente, como um cabelo bem trançado: sem rigidez, sem forçar os grampos, sem obrigar cada mecha a permanecer inerte às custas de muito laquê. Às vezes a gente deseja tanto manter os nós atados, que rompemos os elos, quebramos os vínculos, arrebentamos o penteado e despedaçamos as conexões.

É preciso deixar as pessoas livres para se afastarem ou se aproximarem; desobrigadas a mandar mensagens, livres para manterem os vínculos ou não. Algumas coisas devem ser espontâneas, nunca cobradas. Mas você pode aprender a dar um passo atrás quando alguém faz o mesmo, e a se desligar pouco a pouco quando não houver intenção de conexão.

Depois de algum tempo, você aprende a deixar as pessoas livres para sentirem sua falta ou desejarem estar ao seu lado. Você aprende a dar espaço para as coisas acontecerem, para terem saudade ou não de você, para a reciprocidade na comunicação ocorrer. Então você define – a partir daí – quem deve permanecer como prioridade e quem deve deixar de ser.

Quando alguém me ver indo embora sem olhar para trás, saiba que na verdade eu não deixei de olhar porque eu quis. É que olhei tanto, mas tanto, tanto, tanto para aquele lugar sem reciprocidade alguma, que o brilho no meu olhar se esgotou, e tive que partir – sem olhar para trás – para não se consumir minha última chance de ser feliz.

Alguns desencantos não causam raiva nem vontade de chorar. Eles apenas nos anestesiam por completo, e simplesmente perdemos a vontade de lutar.

E é nesse momento, em que invertemos as posições das peças como num jogo de xadrez, que percebemos que só devemos priorizar quem nos prioriza também; e que ninguém sai da nossa vida de uma vez; ao contrário, é aos poucos que as pessoas nos perdem a cada dia.

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Fabíola Simões é dentista, mãe, influenciadora digital, youtuber e escritora – não necessariamente nessa ordem. Tem 4 livros publicados; um canal no Youtube onde dá dicas de filmes, séries e livros; e esse site, onde, juntamente com outros colunistas, publica textos semanalmente. Casada e mãe de um adolescente, trabalha há mais de 20 anos como Endodontista num Centro de Saúde em Campinas e, nas horas vagas, gosta de maratonar séries (Sex and the City, Gilmore Girls e The Office estão entre suas preferidas); beber vinho tinto; ler um bom livro e estar entre as pessoas que ama.

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