Vocês têm um desentendimento na segunda. Na terça vocês voltam a conversar normalmente, e tudo fica bem. Na quarta, você manda uma mensagem carinhosa e ele responde na hora, porém demonstra frieza. Na quinta vocês se veem e ele está sorridente e carinhoso. Na sexta você manda um áudio contando sobre seu dia, fazendo perguntas, interagindo e sendo amável. Ele ouve o áudio e não responde. Passam-se horas e nada. Você pergunta se está tudo bem, e ele diz que esteve ocupado, por isso não respondeu. Você entende, mas bate uma insegurança. Ele é seco, e diz: “não crie expectativas”. Você sabe disso, evita criar expectativas ao máximo, mas a situação toda é um desafio. Ele te acusa de insegura, e diz que ninguém nessa vida vai controlá-lo. Você não entende, pois não se trata de controle e sim de falta de entendimento. O que faz alguém mudar assim, do nada?

Se você se importa com a pessoa que está ao seu lado; ou, mais ainda, se você valoriza essa pessoa e não quer perdê-la, você fará de tudo para não a magoar, e levará em consideração os sentimentos dela e a fé que ela deposita em você. Dizer “não crie expectativas” para alguém é o mesmo que afirmar: não espere nada de mim, pois não temos vínculos suficientes para eu me importar com você. Ou: não se iluda comigo, eu posso te magoar a qualquer momento. É normal e aceitável falarmos “não crie expectativas” para um ficante que está começando a se relacionar conosco e ainda não temos certeza se aquele relacionamento vai valer a pena ou não. “Não crie expectativas, pois ainda não temos algo sério, e eu não vou me esforçar para corresponder aos seus anseios”.

É lógico que gente tem que ter responsabilidade afetiva com a gente mesmo. Não nos arriscar em lugares que a gente sabe que vai se machucar. Porém, em relacionamentos longos e estáveis, se alguém diz: “não crie expectativas”, é porque esse alguém não valoriza o vínculo tanto quanto você. Simples assim.

“Não se iluda comigo. Posso te tratar bem num dia, no outro ignorar suas mensagens, na semana seguinte ser um cavalheiro, no fim de semana sumir sem deixar rastros. Posso fazer o que bem entender e, se você me cobrar, vou dizer que odeio controle. Te acusarei de insegura, e deixarei bem claro que não me responsabilizo por suas expectativas. Não se iluda comigo. Eu não me importo se te confundo ou brinco com seus sentimentos”

Não fiquem estranhos do nada. Mudanças de comportamento muito grandes, de uma hora pra outra, geram insegurança até em quem não é inseguro. Além disso, falta de resposta também é uma resposta. Ignorar uma mensagem (por horas, dias ou eternamente) não é só falta de educação, e sim falta de consideração. Cada caso é um caso, mas dependendo da situação, pode ser o estopim para o fim.

Relacionamento não é lugar de ficar na defensiva, com medo de que lhe coloquem um cabresto e perca as rédeas da própria vida. Vínculos se formam gratuitamente, com reciprocidade, investimento, atenção. Uma pessoa saudável não exigirá de você o suprimento de todas as suas necessidades, expectativas, desejos e vontades. Talvez ela deseje apenas o essencial (que você não oscile tanto, nem fique estranho do nada). Sendo assim, não se apavore por tão pouco, nem fuja ao menor sinal de reivindicação.

Relacionamentos precisam ser leves, transparentes, agradáveis. Se você vive com medo, desconfiado da outra pessoa e temeroso de que a qualquer momento ela possa te dominar, melhor desistir. Nem todo mundo quer te controlar, nem todo mundo quer investigar sua vida, o universo não gira em torno do seu umbigo. Relaxe, saiba ser amável sem receio de que isso o torne vulnerável.

Finalmente, fico com os versos da grande Marília Mendonça. Em poucas palavras, ela disse tudo: “Preocupa não; que eu não vou bater no seu portão. Preocupa não; que não vai ver mais o meu nome, nenhuma ligação. Preocupa não; que eu vou tomar vergonha na cara. Preocupa não; pra um bom entendedor, meia ausência basta…”

RECOMENDAMOS



LIVRO NOVO



Fabíola Simões é dentista, mãe, influenciadora digital, youtuber e escritora – não necessariamente nessa ordem. Tem 4 livros publicados; um canal no Youtube onde dá dicas de filmes, séries e livros; e esse site, onde, juntamente com outros colunistas, publica textos semanalmente. Casada e mãe de um adolescente, trabalha há mais de 20 anos como Endodontista num Centro de Saúde em Campinas e, nas horas vagas, gosta de maratonar séries (Sex and the City, Gilmore Girls e The Office estão entre suas preferidas); beber vinho tinto; ler um bom livro e estar entre as pessoas que ama.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui