Moça, não mantenha lugares desocupados dentro de você à espera de alguém. Pessoas vêm e vão, chegam e partem, se aproximam e se distanciam. Sempre foi assim, sempre será. Não pare sua vida por ninguém, não condicione sua felicidade à presença de alguém.

Às vezes a gente precisa perder tudo, ficar sem nada no coração, para aprender que é arriscado colocar a própria alegria nas mãos de alguém. Se esse alguém vem ou não, se esse alguém vai te amar ou não, se esse alguém vai te machucar ou não. Pessoas falham, amores acabam. A felicidade tem que ir além disso.

As pessoas falam tanto em se amar e não esperar nada de ninguém… mas quando há sentimento, tudo fica mais difícil. As emoções têm o papel de nos proteger frente a um risco, nos conectar uns aos outros e permitir o pensamento reflexivo. Porém, quando elas estão embaralhadas ou intensas demais, as emoções nos deixam confusos, aflitos, agitados e muito inseguros. Gostar muito de alguém pode causar demência temporária, levar à burrice momentânea e cegueira transitória. Não aja por impulso nesses momentos, se afaste da situação e prefira o silêncio.

Sabe aqueles pensamentos que te roubam a paz? Eles surgem quando suas emoções saem do controle. Então moça, primeiro reconheça que você está fora de si. Que, quando esse coração se acalmar, você enxergará tudo com mais lucidez e compreensão. Então agora me dê sua mão. Desligue o celular, tire uma soneca, tome um banho morno ou se distraia com uma série nova de mistério. Tente se distanciar da situação que você vive e acalme esse coração com atividades que restabeleçam sua paz. Opte pelo silêncio e experimente focar sua energia em ficar mais bonita: teste um truque novo de maquiagem, faça um book de looks, invista num cropped colorido.

Eu sei que você gosta de colos e abraços, e que está perdendo o controle com o silêncio e a falta de respostas, mas tente não focar sua energia nisso. Ao invés disso, experimente olhar para si mesmo (a). Cuidar da aparência parece futilidade, mas ficar bonito (a) ajuda demais nessas horas em que o celular não toca, as mensagens não chegam e o coração se contorce em desespero. Hidrate o cabelo, vá trabalhar com sua melhor roupa, borrife o perfume preferido nos pulsos.

Quando algo ainda não foi inventado ou não existe, a gente não sente falta. Porém, quando esse algo passa a existir, a gente se acostuma. E se, por um acaso, esse algo deixa de funcionar ou desaparece, a gente se desespera e morre um pouquinho como se não pudesse viver sem aquilo. Porém, antes aquilo não existia, e a gente vivia muito bem!

A gente tem que entender que é preciso se ocupar, se envolver, se interessar e se entreter com outras atividades, e não ficar na dependência do outro para sorrir, respirar ou simplesmente viver. É preciso fazer planos consigo mesmo, se libertar de inseguranças e se distrair a ponto de não exigir atenção para ser feliz.

O responsável por sua felicidade é você. Pessoas são complementos. Quando você deposita seu bem-estar em alguém ou numa relação, e deixa de se ocupar, se distrair ou simplesmente pensar por si mesmo, você trava o fluxo da sua vida e se desgasta inutilmente entregando toda sua alegria nas mãos de quem não tem a missão de cuidar dela.

Não foque toda sua energia – buscando desesperadamente o prazer e a cura de seus vazios – numa pessoa ou numa relação. Isso é desgastante para você e para o outro, e pode ser o suicídio da relação.

Você já tentou manter os cabelos arrumados quando o vento está soprando contra? Já experimentou nadar contra a correnteza? Já insistiu em algo sem reciprocidade alguma? Não há nada mais desgastante ou autodestrutivo que isso. Com o tempo a gente aprende a se cuidar, a se preservar e a poupar o próprio coração de sofrimentos desnecessários. Mas até lá, muita água pode rolar…

Moça, ocupa essa mente e coração. Não deixa a dependência emocional tirar seu brilho. Não perca seu equilíbrio, nem autorize que o medo ou a ansiedade tomem as rédeas da sua vida. Segure a impulsividade, faça pactos com o autocontrole e tenha um bloco de notas onde você possa chutar o balde e puxar a toalha, despejando tudo até que a calma se restabeleça e você possa pensar e agir friamente. Algumas coisas não valem um pingo da nossa energia, e abrir mão daquilo que desgasta a alma é questão de sabedoria.

Torço por você, moça: sonhar é bom, nos faz sentir mais completos; mas desejar e ser desejado, naquela fagulha de instante mágico em que os olhares se cruzam e você percebe que encontrou equilíbrio entre incerteza e tentação, sabedoria e insanidade, nos faz sentir mais vivos e fortes de uma maneira inimaginável…

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Fabíola Simões é dentista, mãe, influenciadora digital, youtuber e escritora – não necessariamente nessa ordem. Tem 4 livros publicados; um canal no Youtube onde dá dicas de filmes, séries e livros; e esse site, onde, juntamente com outros colunistas, publica textos semanalmente. Casada e mãe de um adolescente, trabalha há mais de 20 anos como Endodontista num Centro de Saúde em Campinas e, nas horas vagas, gosta de maratonar séries (Sex and the City, Gilmore Girls e The Office estão entre suas preferidas); beber vinho tinto; ler um bom livro e estar entre as pessoas que ama.

2 COMENTÁRIOS

  1. Esse texto foi a cereja do bolo,para que pudesse trilhar um novo caminho,um novo desafio e acima de tudo Coragem.amo seus textos um mais libertador que o outro. Irei em busca da minha felicidade,ela está me esperando,meu brilho quer me reencontrar novamente ,a minha liberdade me custou caro,paguei um preço altíssimo,mais ainda assim nunca desisti. Obrigada Fabíola, é de texto como esse que precisamos para seguirmos em frente.

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