Outro dia, ao ser indagado sobre sua ex namorada, um amigo me respondeu: “torço pela felicidade dela. Gente feliz não enche o saco de ninguém”. A frase e o contexto em que foi respondida me fisgaram. Pois é isso mesmo. Por mais difícil que tenha sido um término, ele pode se tornar ainda mais difícil e doloroso se uma das partes estiver profundamente infeliz. Do mesmo modo, qualquer relacionamento pode se tornar tóxico ou insuportável se uma das partes for insegura, ter baixa autoestima ou estiver atravessando um período complicado. É preciso entender que nem sempre o relacionamento é ruim; muitas vezes, o sentimento interno das pessoas envolvidas é que o tornam ruim.

Quantas vezes não estamos bem, e acabamos tendo uma percepção distorcida do mundo ao nosso redor? Quantas vezes nossa infelicidade ou insatisfação atinge a visão que temos das pessoas e das coisas, e acabamos filtrando de forma deturpada palavras e ações de quem está ao nosso lado? É importante estarmos atentos às nossas próprias emoções, pois muitas vezes interferimos de forma negativa em nossos relacionamentos devido à dificuldade de lidarmos com nosso mundo interno.

Gente feliz não se incomoda com o sucesso alheio, com a roupa que fulana vai vestir, com a última postagem de ciclano na rede social, com as escolhas da Maria, com as desistências do João, com a felicidade de quem quer que seja. Gente feliz vibra por você, e não torce o nariz quando te vê crescer.

Quando meu filho era pequeno, qualquer lugar – por melhor que fosse – se tornava um péssimo lugar se ele não estivesse bem (com sono, fome ou qualquer outro incômodo). Porém, qualquer lugar – por pior que fosse – se tornava o melhor lugar se ele estivesse calmo e feliz. Assim era meu pequeno; assim somos nós. A felicidade não é determinada pelo que acontece fora de você, e sim dentro.

Quantas vezes você experimentou começar um relacionamento com alguém por quem não tinha tanto interesse, e percebeu – automaticamente – a outra pessoa ficar completamente apaixonada por você? E, ao contrário, quantas vezes você afugentou alguém por estar completamente obcecada por essa pessoa? A resposta para esse fenômeno está no peso de nossas emoções. Quando temos interesse, bate também o medo de perder, e com isso… perdemos.

É preciso cuidar mais de nós. Amparar nossos medos, soltar nossas inseguranças, resgatar nosso amor-próprio. Curar nossas feridas, ventilar nossas culpas, libertar nossos ressentimentos. Entender que o mundo que temos à nossa disposição é o reflexo do nosso mundo interno, e se temos tanta necessidade de controlar a vida alheia, talvez seja o momento de nos perguntarmos: que emoções estão fragilizadas dentro de mim?

Quem carrega medo dentro de si, quer dividir o medo com você

Quem carrega tristeza dentro de si, quer dividir infelicidade com você

Quem carrega amargura dentro de si, quer fazer da vida do outro um inferno

Quem carrega amor dentro de si, quer dividir amor com o mundo

Quem carrega felicidade dentro de si, quer dividir otimismo e alegria com você

Quem tanto quer cuidar da vida do outro, é quem precisa cuidar mais de si.

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Fabíola Simões é dentista, mãe, influenciadora digital, youtuber e escritora – não necessariamente nessa ordem. Tem 4 livros publicados; um canal no Youtube onde dá dicas de filmes, séries e livros; e esse site, onde, juntamente com outros colunistas, publica textos semanalmente. Casada e mãe de um adolescente, trabalha há mais de 20 anos como Endodontista num Centro de Saúde em Campinas e, nas horas vagas, gosta de maratonar séries (Sex and the City, Gilmore Girls e The Office estão entre suas preferidas); beber vinho tinto; ler um bom livro e estar entre as pessoas que ama.

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