Não vai aparecer ninguém na sua vida até você abrir a possibilidade de se decepcionar. Se você vive com medo do risco, da decepção, da dor… nunca vai se apaixonar ou deixar alguém se apaixonar por você.

Cada pessoa que entra em nossa vida traz uma alegria nova. E cada pessoa pode trazer um risco novo também. Não tenha medo do risco. Decepções ensinam, frustrações fortalecem, dores amadurecem.

Mesmo a pessoa que você julga mais perfeita, ela vai te decepcionar algumas vezes. Isso faz parte da vida. Pessoas não são perfeitas. O amor também não.

É claro que você, já tendo se machucado por ter mergulhado de cabeça numa piscina rasa, vai avaliar melhor o risco dessa vez. Não vai sair dando seu coração de bandeja para a pessoa fazer o que quiser com ele. O coração é seu. Quem tem que tomar conta dele é você. Tenha responsabilidade afetiva com você mesmo.

Mas também não adianta se traumatizar a ponto de colocar seu coração numa redoma de vidro, igual à rosa do Pequeno Príncipe ou da Bela e a Fera, e ser um coração inatingível. O bom da vida é experimentar, viver intensamente, arriscar… e, se doer, esperar cicatrizar e tentar novamente.

Porém, existem decepções e decepções; riscos e riscos; dores e dores. E, muitas vezes, repetimos o mesmo risco, a mesma decepção e a mesma dor, porque simplesmente não conseguimos fugir disso. Como se fosse a mesma velha história retornando para ver se você aprendeu. Se você evoluiu. Se você se libertou. Cuidado para não repetir padrões, e procurar pessoas que irão te infligir as mesmas dores, porque você pode estar tentando reparar algo do passado que só pode ser reparado por você mesmo, e não através de um relacionamento ruim.

Antes de se relacionar com alguém, você tem que conseguir ter um ótimo relacionamento com você mesmo. Aprender a se cuidar; a tolerar seus momentos de tédio, solidão, frustração e inadequação; a suportar a ausência de notificações; a conviver com o silêncio e a ausência de respostas. Pois no fim das contas, todo mundo está só. E enquanto você não entender isso, e não conseguir lidar com a ideia dessa solidão, buscará em outras pessoas – às vezes de forma distorcida ou destrutiva – a cura para a dor que a existência, por si só, traz. E é todo dia…

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Fabíola Simões é dentista, mãe, influenciadora digital, youtuber e escritora – não necessariamente nessa ordem. Tem 4 livros publicados; um canal no Youtube onde dá dicas de filmes, séries e livros; e esse site, onde, juntamente com outros colunistas, publica textos semanalmente. Casada e mãe de um adolescente, trabalha há mais de 20 anos como Endodontista num Centro de Saúde em Campinas e, nas horas vagas, gosta de maratonar séries (Sex and the City, Gilmore Girls e The Office estão entre suas preferidas); beber vinho tinto; ler um bom livro e estar entre as pessoas que ama.

1 COMENTÁRIO

  1. Adorei. Parabéns!!! sou gay mas me identifiquei demais com esse relato/texto. Pois já amei intensamente, mas intensamente mesmo, e sofri muuuuuuito pois nunca fui valorizado e ainda fiquei como otário no final da estória. Mas hj, não vou dizer que estou totalmente curado, pq a faca da traição e do desprezo furou muito profundo e quase me matou. Mas com certeza a cicatrização está em pleno vapor. E lendo esse texto me deu mais um sopro na minha vida. Obrigado.
    *Detalhe: tbm sou fã demais da série Gilmore Girls. Tenho o box completo.

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