Há alguns anos, lendo o livro de Elizabeth Gilbert: “Comer, rezar, amar”, uma frase me fisgou. Durante sua estadia na Índia, aprendendo a silenciar a mente e a meditar, a protagonista travou um diálogo com um novo amigo – um caubói texano – que em dado momento lhe diz: “Você tem que aprender a escolher seus pensamentos da mesma forma que escolhe suas roupas todos os dias. Trabalhe sua mente; é a única coisa que deve controlar. Porque se não dominar seus pensamentos, terá problemas sempre”

Escolher os próprios pensamentos parece simples, mas não é. A mente se agita, ganha vida própria, tagarela sem parar, retorna a momentos dolorosos que não deveriam mais assombrar, cria paranóias, constrói enredos, se ilude, bate na mesma tecla, dá voltas e mais voltas sem resolver nada, antecipa tragédias, prenuncia desastres, cria expectativas, se esgota em ansiedade.

A mente tem necessidade de resolver tudo, te dirige a palavra dizendo: “Você não vai fazer nada?” “Olha, se você não tomar uma atitude agora vai perder…”, “Você vai deixar tudo por isso mesmo?” “você precisa se mexer”, “resolva, resolva, resolva!!!” e, até certo ponto, isso é bom. Porém, de vez em quando a melhor atitude é calar a mente e simplesmente não fazer nada. A decisão de não agir, silenciando e esperando que o Universo tome conta, também é uma ação – e das grandes.

A mente falante é catastrófica, cria histórias imaginárias, produz sofrimentos desnecessários, se agita em busca de soluções. Porém, é no silêncio e na calma que a melhor resposta pode vir à tona, livre das influências do ego, e mais alinhada com a verdade.

É atribuída à Buda a frase que diz: “Nem seus piores inimigos podem lhe causar tanto mal quanto seus próprios pensamentos”. Você já parou pra pensar no quanto isso é verdade? Ninguém pode te fazer tanto mal quanto você mesmo. Você e essa sua mania de achar que não é bom o bastante; você e suas nóias e inseguranças; você e sua baixa autoestima; você e sua necessidade de ter seu ego validado e aplaudido por outros; você e seu medo de arriscar, ousar, errar, ser você mesmo; você e sua voz castradora; você e seu autojulgamento; você e sua falta de autocompaixão.

Silencie a mente e fique do seu lado. Seja seu aliado, seu maior defensor e protetor. Se acolha com compaixão e cale a voz interior que quer te deixar pra baixo, alimentando inseguranças e paranóias.

Respire fundo, acenda uma vela, baixe as persianas da janela. Não dê ouvidos para a reatividade, evite a ação imediata, combata a impulsividade. Você verá que as melhores respostas surgem com o tempo, quando a poeira baixa e a alma tem oportunidade de se pronunciar. E ela tem tanto a te falar…

A alma só se pronuncia quando a mente silencia.

É tão difícil viver sem fazer planos, sem criar expectativas, sem cobrar da vida e das pessoas as respostas que queremos. É tão difícil manter a paz e a serenidade quando sentimos frustrações, quando uma mensagem é lida e ignorada, quando falta reciprocidade. Nos inquietamos em questão de segundos, voltamos a nos sentir como adolescentes rejeitados do ensino médio, duvidamos de nosso valor.

Talvez seja hora de aprender a confiar mais. Confiar na vida, nos caminhos tortos que nos conduzem a um desfecho diferente e muitas vezes melhor do que imaginamos, confiar no tempo, confiar no invisível que nos habita. Não queira tomar todas as rédeas. Deixe a condução por conta de Deus também.

Se tivéssemos a mínima noção do quanto nossa mente é poderosa, e do quanto nossos pensamentos podem nos afligir, teríamos mais cuidado com aquilo que retemos, nutrimos e guardamos dentro da gente. Pensamentos e sentimentos ruins devem fluir, não cristalizar. Mágoa é como água parada – uma “má água” – que só prejudica quem a bebe.

Finalmente, um trechinho de uma meditação que encontrei no Youtube, no canal Yoga Mudra, e que tem tanto a nos ensinar: “Tudo o que existe no Universo é uma forma de energia. O seu pensamento é energia. É uma frequência, que emite uma vibração. Você atrai aquilo que você sente. Você cria aquilo que você acredita. E você se torna aquilo que você pensa a seu próprio respeito. Muitas doenças são causadas justamente por bloqueios de energia. Uma energia estagnada, que pode ser fruto de um pensamento, de uma sensação, de um sentimento. Que gradativamente reverbera do sutil ao denso, até se materializar em forma de doença.”

Cuidado com o que você pensa, vibra, atrai e cria. Seja gentil com você. A vida agradece e retribui.

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Fabíola Simões é dentista, mãe, influenciadora digital, youtuber e escritora – não necessariamente nessa ordem. Tem 4 livros publicados; um canal no Youtube onde dá dicas de filmes, séries e livros; e esse site, onde, juntamente com outros colunistas, publica textos semanalmente. Casada e mãe de um adolescente, trabalha há mais de 20 anos como Endodontista num Centro de Saúde em Campinas e, nas horas vagas, gosta de maratonar séries (Sex and the City, Gilmore Girls e The Office estão entre suas preferidas); beber vinho tinto; ler um bom livro e estar entre as pessoas que ama.

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