Você diz algo. O outro entende diferente e se ofende. Você tenta se explicar. O outro se afasta e se ressente. Você se culpa. O outro não compreende. A palavra já foi dita. O outro não segue em frente. Você explica sua intenção. O outro só ouve o que já estava em sua própria mente. A palavra foi o gatilho. Porém, o que o outro entendeu já morava dentro dele de forma inconsciente.

Você já parou para pensar que aquilo que mais mexe com você, despertando emoções fortes como raiva, paixão, medo, fúria ou obsessão na verdade não é a coisa em si, mas o que a coisa acessou dentro de você? Você já parou para pensar na quantidade de segredos, inseguranças e traumas existem dentro de você, soterrados num oceano de aparente tranquilidade?

Nada nos afeta tanto quanto aquilo que soterramos, mas sobrevive nas profundezas. Aquilo que vem à tona após um comentário desagradável qualquer, ou é acionado quando nos apaixonamos, ou que se transforma numa mágoa desproporcional após ouvir uma palavra que não tinha a intenção de ferir, mas feriu.

Há palavras que machucam sem intenção de machucar. Não porque a outra pessoa quis te ferir, mas porque o que foi dito acessou algo que, dentro de você, estava mal resolvido.

Dizem que nos relacionamos com espelhos. Que tudo o que supomos ou deduzimos a respeito do mundo são percepções que construímos a partir de nós mesmos, e o que entendemos ou concluímos nada mais é que o reflexo de nossos pensamentos, intenções ou atitudes. Assim, quando nos ofendemos ou nos magoamos diante de uma palavra, é porque o que foi dito acessou nossas próprias percepções e intenções, que podem ser diferentes das intenções da pessoa que a pronunciou.

As pessoas que mais amamos são as pessoas que mais têm o poder de nos magoar. Porque essas pessoas têm acesso direto às nossas emoções, até àquilo que não temos consciência. E de repente, qualquer comentário mal elaborado ou palavra mal concebida pode causar mal entendidos irreversíveis e mágoas irreparáveis.

É preciso ter tato e cuidado com o que dizemos, mas também com a forma que escutamos o que alguém que amamos tem a nos dizer. Nem sempre as pessoas têm intenção de nos magoar ou ferir, e precisamos estar atentos para não estragarmos uma amizade ou relacionamento pela incapacidade de compreendermos os reais propósitos do outro coração.

Talvez, mais do que me magoar, seja importante me perguntar: o que essa dor tem a me dizer a respeito de mim mesmo que eu não consigo enxergar?

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Fabíola Simões é dentista, mãe, influenciadora digital, youtuber e escritora – não necessariamente nessa ordem. Tem 4 livros publicados; um canal no Youtube onde dá dicas de filmes, séries e livros; e esse site, onde, juntamente com outros colunistas, publica textos semanalmente. Casada e mãe de um adolescente, trabalha há mais de 20 anos como Endodontista num Centro de Saúde em Campinas e, nas horas vagas, gosta de maratonar séries (Sex and the City, Gilmore Girls e The Office estão entre suas preferidas); beber vinho tinto; ler um bom livro e estar entre as pessoas que ama.

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