Adoro o Instagram e outras redes sociais. Através dos posts e stories me inspiro para escrever, me distraio momentaneamente de minha vida, acompanho o dia a dia de alguns amigos, conheço novos lugares, tenho acesso a novos produtos, dou risada de certos memes, acompanho meus leitores e o que dizem sobre meus livros, descubro novos filmes e séries para assistir. Como consumidora de livros, costumo visitar perfis de booktubers e leitores vorazes, e sempre saio com uma boa dica de livro para adquirir.

É claro que eventualmente me canso de tudo isso, sou consumida por uma estafa mental e fico saturada ou entediada desse mundo virtual – que é ao mesmo tempo ilusório e real. São novos tempos, e pra quem conheceu o outro mundo (aquele, antes da internet), fica sempre o questionamento: as coisas melhoraram ou pioraram?

A resposta parece óbvia: nem tudo piorou, nem tudo melhorou. Saber extrair o melhor daquilo que temos à disposição e tentar não se deixar seduzir por aquilo que sabidamente é só ilusão torna-se essencial para tirar de letra esse relacionamento quase sério que temos com as redes sociais.

É preciso entender que a vida não é aquilo que é postado nos stories, e sim o que fica fora do alcance das câmeras, nas entrelinhas, na declaração feita olhos nos olhos, no choro abafado no travesseiro, nas noites de insônia e pesadelo, no amor não correspondido, no coração aos pulos antes do primeiro beijo, nos olhares profundos e silenciosos, na mágoa, no perdão, na reconciliação com a existência e seus recomeços. A vida é a ansiedade antes da festa, os dedos sujos enrolando brigadeiro, o frio na barriga antes da entrevista de emprego. A vida é o abraço no pior momento, a descoberta de que somos mais fortes do que imaginamos, a cura gradativa que só o tempo proporciona.

Só o tempo cura. E tentar apressar as coisas comparando-se com aquele instagrammer super descolado que terminou um casamento de 5 anos e já está morando com outro alguém na Europa, sempre sorrindo, sempre se exercitando e comendo bem é, no mínimo, um desrespeito com você mesmo. Não se iluda. Todo mundo sofre, todo mundo acorda um dia ou outro sem vontade de sair da cama, todo mundo enfrenta desafios e dificuldades, todo mundo se pega perguntando se está no caminho certo, todo mundo tem uma dor secreta dentro de si.

Porém, ninguém quer consumir dor. Já temos aflições e dificuldades o bastante para lidar no dia a dia, e quando vamos para as redes sociais, na maioria das vezes queremos consumir beleza e realização. Mas é preciso entender que ali estamos diante da vida editada, e os cortes deixam de fora as imperfeições, os fracassos e frustrações inerentes à vida de qualquer mortal.

Desejo que você esteja bem, muito além das edições e filtros dos stories. Que você não force a barra dos seus piores dias, mas entenda que tudo se finda e se renova o tempo todo, e no fundo a gente está sempre recomeçando, mesmo que não perceba no momento. Que o melhor da vida te alcance, e encontre-o em boa sintonia, aberto às novas possibilidades. Que você aprenda a lidar com seus momentos de solitude e introspecção, e saiba se pegar no colo quando o choro quiser vir à tona. Desejo que saiba separar seus medos antigos dos atuais, e que consiga ser tolerante com suas limitações, entendendo que mais cedo ou mais tarde a cura chegará, quando você menos esperar…

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Escritora mineira de hábitos simples, é colecionadora de diários, álbuns de fotografia e cartas escritas à mão. Tem memória seletiva, adora dedicatórias em livros, curte marchinhas de carnaval antigas e lamenta não ter tido chance de ir a um show de Renato Russo. Casada há dezessete anos e mãe de um menino que está crescendo rápido demais, Fabíola gosta de café sem açúcar, doce de leite com queijo e livros com frases que merecem ser sublinhadas. “Anos incríveis” está entre suas séries preferidas, e acredita que mais vale uma toalha de mesa repleta de manchas após uma noite feliz do que guardanapos imaculadamente alvejados guardados no fundo de uma gaveta.

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