Com o amadurecimento e o passar dos anos, tenho tentado não criar tantas expectativas. É claro que quando você diz que não vai criar expectativas você já as está criando, mas a experiência da ansiedade seguida do trauma da frustração acaba nos tornando mestres em nos proteger e nos blindar das armadilhas da esperança.

Hoje peço a Deus que tire do meu coração tudo o que não fizer parte dos planos dEle para mim. Que eu saiba aceitar o tempo finito de cada coisa, e me desapegue sem melancolia daquilo que não cabe mais em minha nova etapa de vida.

Que eu olhe para o passado sem nostalgia ou desejosa de que o tempo volte, mas que saiba reconhecer o momento presente como o único momento possível.

Que eu não iluda meu coração acreditando em coisas que não fazem parte de um plano maior e mais digno para mim, e aceite a partida de tudo o que atrasa meu passo e diminui meu autorespeito. Que eu saiba quando é o momento de desistir e deixar ir, sem tentar mudar o que não pode ser mudado, ou tentar controlar o que não posso controlar.

Que eu deixe de insistir naquilo que não me serve, e aceite com sabedoria tudo o que está reservado a mim. Que eu não crie expectativas vãs, nem alimente ilusões que desgastem a alma.

Que minha coragem não seja apenas a de realizar tudo, mas também a de não fazer nada, e simplesmente deixar as coisas acontecerem, sem forçar, sem nadar contra a correnteza, sem teimar naquilo que não é pra mim.

A gente escuta muito: “Não deixe que a esperança morra…” mas às vezes é preciso deixar que ela se vá sim, pois apesar da esperança aliviar o peso da dor, ela também nos mantém apegados a coisas que não existem mais, ou à ilusões que nunca irão se concretizar. Até a esperança tem um limite. Cuidado com a esperança, cuidado com as ilusões.

Que eu saiba ser como os lírios do campo, que não vivem ansiosos ou angustiados com o dia de amanhã, mas creem que tudo o que tiver que acontecer, chegará até eles. Que eu seja capaz de confiar, sem criar expectativas inúteis que tirem a minha paz, ou alimentar minhocas na cabeça que afastem as doces borboletas do estômago.

Tudo bem desistir, tudo bem não forçar demais as coisas, tudo bem seguir sem muita ambição, tudo bem soltar, tudo bem dormir pra não pensar a respeito, tudo bem dar um tempo, tudo bem não ter certezas absolutas, tudo bem não ser forte o tempo todo, tudo bem pedir a Deus que te ajude a aceitar a partida de tudo o que não está reservado a você.

O que é para ser, tem uma força enorme para acontecer. Esse pode ser um pensamento clichê, mas sempre me conforta naqueles momentos em que a ansiedade bate e as mensagens não chegam, o telefone não toca, os olhares não se cruzam. A gente tem que entender que não adianta querer muito alguma coisa, nem sofrer com as ausências que ocorrem. O que é seu, vai encontrar um caminho até você…

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Escritora mineira de hábitos simples, é colecionadora de diários, álbuns de fotografia e cartas escritas à mão. Tem memória seletiva, adora dedicatórias em livros, curte marchinhas de carnaval antigas e lamenta não ter tido chance de ir a um show de Renato Russo. Casada há dezessete anos e mãe de um menino que está crescendo rápido demais, Fabíola gosta de café sem açúcar, doce de leite com queijo e livros com frases que merecem ser sublinhadas. “Anos incríveis” está entre suas séries preferidas, e acredita que mais vale uma toalha de mesa repleta de manchas após uma noite feliz do que guardanapos imaculadamente alvejados guardados no fundo de uma gaveta.

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