Todo coração é feito de um pouco de retalho costurado. Uma ferida aqui, outra ali, não tem jeito. Além de átrios, câmaras inferiores, ventrículos, músculo e sangue, nosso coração é feito de pedacinhos de pano que suturamos ao longo da vida.

Esses pedacinhos de pano podem variar em tamanho, cor e gramatura do tecido, mas foram todos costurados com cuidado para que não doessem mais. É ou não é?

Apesar dos retalhos, dos pedacinhos de pano e das linhas que se emaranham umas às outras conforme o tempo passa, fazemos o possível para entregar a nossa parte mais bonita.

A parte colorida, sem corte aparente, sem manchas ou rasgão. Embora seja impossível que esses recortes não se manifestem, é sempre a parte mais bonita que desejamos dedicar a quem a gente gosta.

Não que a parte machucada não seja importante, ela é e muito! Todos os retalhos costurados no peito cobrem uma dor, algumas difíceis de lembrar. Porém, não fossem elas, não seríamos o que somos.

São essas feridas cicatrizadas – e essas outras que nem tanto, que nos tornaram fortes e frágeis, alegres e tristes, loucos e santos, mas cheios de capacidade para amar. Já falei que sem amor a gente morre devagarinho, lembra?

Então, embora os retalhos estejam ali o tempo todo, há algo de mais forte na nossa intenção. Sempre, sempre, sempre devemos entregar o nosso melhor, aquilo que consideramos possível com as ferramentas que temos naquele momento.

Orgulhe-se das suas feridas, dos retalhos que costurou ao longo da vida e de todos que ainda irá remendar. Afinal, a vida é uma colcha de retalhos e o que mais fazemos é suturar dor para florir amor.

Aceite-as sem se acomodar, mas aceite-as com a ternura de uma criança. Ah, e quando oferecer seu coração a alguém, seja amigo, família ou parceiro de vida, dê a parte mais bonita dele, mas só entregue a quem desejar enxergar os retalhos também.

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Não nasci poeta, nasci amor e, por ser assim, virei poeta. Gosto quando alguém se apropria do meu texto como se fosse seu. É como se um pedaço que é meu por direito coubesse perfeitamente no outro. Divido e compartilho sem economia. Eu só quero saber o que realmente importa: toquei alguém? É isso que eu vim fazer no mundo.

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