No primeiro episódio da segunda temporada de “Sex and the City”, é lançada a seguinte pergunta: “Quanto tempo leva para esquecer um amor?” e Charlotte, uma das personagens, tem uma teoria: Leva-se metade do tempo que durou a relação. Miranda, porém, discorda. Ela teve um caso que durou pouquíssimo tempo, e, no entanto, fazem 2 anos que tudo acabou e ela ainda não o esqueceu.

Antes de tentar encontrar uma fórmula que determine o tempo que alguém vai permanecer em nós após o término, é preciso se perguntar: “você está realmente disposto a deixar esse amor morrer em você?” Pois, muitas vezes, a gente não quer esquecer; e se apega às lembranças e ao que sentiu como se essa fosse a única maneira de não deixar a história se evaporar por completo.

Você se apega ao que viveu e mantém as lembranças vivas como se isso te garantisse que, de alguma forma, a outra pessoa também fizesse o mesmo. É como se você acreditasse que seus pensamentos e os da outra pessoa estivessem ainda conectados de alguma maneira, e por isso você se lembra e não deseja seguir em frente, para que o outro também não se esqueça e não se desapegue da história de vocês. Porém, na prática, não é assim que funciona.

A verdade é que não existe um tempo certo, pré determinado, que possa ser estipulado como o tempo necessário para superar alguém. E também não se pode comparar a maneira como cada um decide seguir em frente, ou o jeito que cada um escolhe deixar pra trás. Cada pessoa marca a nossa vida de uma maneira diferente, única, e você pode muito bem superar rapidamente alguém com quem conviveu por anos, ao passo que pode levar anos para superar alguém com quem conviveu por dias.

O primeiro passo é não se cobrar tanto. Nem tentar camuflar o que está sentindo. Deixe a lembrança vir, acolha-a com serenidade e permita-se chorar se a emoção aflorar. Só tente não se apegar à dor. Nem alimente expectativas, esperanças, ou fique recapitulando situações. Apenas permita que a lembrança chegue, mas não se aproprie dela. Não carregue a história que se findou como um souvenir repleto de dor.

Respondendo à pergunta do título, não é possível determinar quanto tempo será necessário para você superar ou esquecer um amor. Isso porque cada um encerra seus ciclos de forma diferente, e algumas pessoas irão seguir em frente, virar a página, mudar completamente o rumo de suas histórias e, ainda assim, carregarão uma lembrança bonita dentro delas. Outras, se fecharão para novas experiências, mesmo que caminhos muito mais sedutores se apresentem à sua frente. Outras, ainda, seguirão novos rumos sem jamais olhar para trás, cientes de que “quem vive de passado é museu”.

Assim, se posso dar-lhe um conselho, não pare sua vida por um amor que não deu certo. Não se feche para novas oportunidades, vibre na frequência da prosperidade, carregue consigo lembranças boas do que foi vivido e não se apegue à elas com melancolia. Faça suas coisas, se dedique a você, toque sua vida e tente se aprimorar com as dores e decepções.

Talvez você se desapegue rápido, talvez não. Talvez você sofra no processo, talvez não. Pode ser que, nessa de você se ocupar, descubra um novo talento, e de um limão faça uma limonada! Mas torço para que, no final da jornada, você consiga amar de novo. E, mesmo que por dentro ainda carregue algo do passado, que seja um souvenir de alegria, que nas horas difíceis te faça companhia!

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Fabíola Simões
Escritora mineira de hábitos simples, é colecionadora de diários, álbuns de fotografia e cartas escritas à mão. Tem memória seletiva, adora dedicatórias em livros, curte marchinhas de carnaval antigas e lamenta não ter tido chance de ir a um show de Renato Russo. Casada há dezessete anos e mãe de um menino que está crescendo rápido demais, Fabíola gosta de café sem açúcar, doce de leite com queijo e livros com frases que merecem ser sublinhadas. “Anos incríveis” está entre suas séries preferidas, e acredita que mais vale uma toalha de mesa repleta de manchas após uma noite feliz do que guardanapos imaculadamente alvejados guardados no fundo de uma gaveta.

2 COMENTÁRIOS

  1. Eu abri seu blog para ler algo que me ajudasse, que acalmasse meu coração. Para minha surpresa o tema era esquecer um grande amor, a minha batalha. Quando acho q consegui vejo q ainda falta. A saudade aparece de forma desconcertante. Eu tbm queria saber quando vou me entregar de novo, quando vou amar de novo ou vou carregar sempre o brilho dele comigo.

  2. Viver cada momento para si como se fosse o último é uma boa forma de tentar levar consigo o esquecimento do amor (passado), ou enganar-se. Vivo assim há anos cujo período já superou o tempo de relacionamento. Me bloqueei! Não percebi sorrisos, nem olhares, nem aromas… Deixe-os escapar. Ainda vivo submerso nesse amor, mas estou me dando a oportunidade de conhecer uma nova pessoa, buscando a ruptura do sentimento pretérito. Eis-me aqui para relatar que o fator superação é tão subjetivo quanto amar novamente, tal qual imaginar que o tempo é o pressuposto para ambos. Vivamos! O tempo não para.

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