Recentemente maratonei a (incrível) série “Soulmates” na Amazon Prime, e fiquei fascinada com a proposta dos criadores William Bridges e Brett Goldstein, que aposta num roteiro de ficção para trazer a ousada resposta a um dos grandes dilemas da humanidade: É possível saber, com toda a certeza, se a pessoa que escolhemos para nos relacionarmos amorosamente é a pessoa certa pra gente? Se essa descoberta fosse possível, encontraríamos nesta revelação a fórmula da felicidade? Existe mesmo a tal “alma gêmea?”

Na série, cada episódio é uma história completa, isto é, nenhum capítulo é a continuação do anterior, cada narrativa começa e termina de uma tacada só. Mas em todos eles há o ponto em comum: o tema “Alma Gêmea”. Nessa antologia futurista, o pano de fundo é a descoberta da partícula “Alma” dentro de cada pessoa. E, a partir desta partícula, é possível fazer um teste e descobrir quem é sua “Alma Gêmea”. A série me fisgou, e o primeiro episódio teve um gostinho especial, pois não tinha uma trama muito fantasiosa, e com isso pude refletir bastante acerca das relações que vivenciamos e experimentamos ao longo de nossa vida.

No primeiro episódio da série, nos deparamos com o relacionamento perfeito de Nikki (Snook) e Franklin (Kingsley Ben-Adir). Eles não fizeram o teste para saber se são almas gêmeas – quando se casaram, essa possibilidade ainda não existia – mas vivem um relacionamento tão harmonioso e feliz que essa possibilidade (de fazerem o teste) não passa pela cabeça deles. Porém, com o passar do tempo – e observando histórias de pessoas conhecidas que fizeram o teste – passam a se indagar se o que vivem pode realmente ser chamado de “FELICIDADE”. Em suma, começam a questionar se seriam mais felizes e realizados ao lado de suas – comprovadas – almas gêmeas.

Não vou contar mais para não dar spoiler, mas o fato é que esse episódio desacomoda por questionar se aquilo que está harmônico – por ser uma relação de trocas dignas, reciprocidade, respeito, companheirismo e consideração – poderia ser ainda mais perfeito se a relação acontecesse entre as designadas “Almas Gêmeas”. O episódio inquieta ao questionar se, mesmo vivendo um relacionamento impecável, deveríamos ousar olhar além de nossa zona de conforto.

Acredito que ninguém aparece em nossas vidas por acaso e, mais ainda, ninguém continua em nossas vidas se não tiver algo a nos ensinar.

Por essa razão, na minha visão, ninguém permanece com alguém – mesmo que isso possa ser chamado de “zona de conforto” – se esse encontro não tiver algum aprendizado a oferecer; ou se as pessoas envolvidas não tiverem alguma travessia que precisará ser realizada – lado a lado, juntas – lá na frente

Assim, não são somente nossas escolhas conscientes que nos conduzem a viver uma história, e sim um emaranhado de questões enraizadas no nosso inconsciente, nas nossas emoções, no mundo invisível que nos cerca e nos habita. Tudo isso interfere. Tudo isso contribui para estarmos onde estamos. Há muitas coisas invisíveis aos olhos que podem nos direcionar para um ou outro caminho, e também podem ser facilitadores para a chegada ou partida de alguém.

Não entendo muito acerca do fundamento “Almas Gêmeas”, mas acredito que atraímos pessoas com energias semelhantes às nossas, e muitas vezes isso é inexplicável. Há uma conexão imediata, e isso não implica necessariamente numa relação romântica. É possível existir Amas Gêmeas no campo da amizade, nas relações familiares, e também nos relacionamentos amorosos.

O importante é ter consideração e honrar cada um de nossos relacionamentos. Entender que não é à toa que alguém se afeiçoou a você, e você a essa pessoa. Ninguém chega por acaso, ninguém vai embora definitivamente se não for para ser assim. Cada relacionamento em nossas vidas tem um propósito, algo a nos ensinar, algo nosso que podemos deixar.

Entender isso traz paz, pois entendemos que, mesmo que a vida dê muitas voltas, o que tiver que permanecer, conosco ficará. O que tiver que recomeçar, um dia retornará. E o que tiver que finalizar, pouco a pouco irá nos deixar.

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Fabíola Simões
Escritora mineira de hábitos simples, é colecionadora de diários, álbuns de fotografia e cartas escritas à mão. Tem memória seletiva, adora dedicatórias em livros, curte marchinhas de carnaval antigas e lamenta não ter tido chance de ir a um show de Renato Russo. Casada há dezessete anos e mãe de um menino que está crescendo rápido demais, Fabíola gosta de café sem açúcar, doce de leite com queijo e livros com frases que merecem ser sublinhadas. “Anos incríveis” está entre suas séries preferidas, e acredita que mais vale uma toalha de mesa repleta de manchas após uma noite feliz do que guardanapos imaculadamente alvejados guardados no fundo de uma gaveta.

2 COMENTÁRIOS

  1. Oi Fabíola, Tudo bem?!

    Passando só pra dizer que adoro seus textos, a forma como você interpreta e descreve as situações e sentimentos é tocante e extremamente sensível. Você consegue traduzir as emoções que contornam situações em nossas vidas e isso é uma dádiva, um dom. Me vi em muitos textos seus, conflitos e experiências que passei. Seus textos nos proporciona uma visão do momento vivido e nos faz refletir, como se em suas narrativas e opiniões, pudéssemos assistir alguns momentos vividos. Deus continue abençoando você e sua família cada dias mais. Grande abraço!

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