Outro dia, postei uma frase no meu Instagram que dizia: “Há um silêncio contido em cada um de nós, que nos conversa, que nos fala. É desse silêncio que as coisas nascem e outras morrem…” Não achei o autor da frase, mas fiquei bastante pensativa a respeito. E, como tenho escolhido uma palavra como símbolo de cada novo ano, em 2021 escolhi “SILÊNCIO” como expressão do ano que desejo ter.

Tenho aprendido que muitas coisas são melhor expressas pelo silêncio. Muito recado é mais bem dado através do silêncio ou de poucas palavras. Às vezes, dizer o mínimo transmite tudo, enquanto fazer “textão” ou longos discursos acerca de um ponto de vista põe tudo a perder.

Já errei muito, me excedi demais, e não fui ouvida como gostaria quando me dediquei a escrever linhas e linhas acerca de meu ponto de vista. Hoje, olhando para trás, percebo que só gastei energia, me tornei desagradável e obtive justamente o efeito contrário. Aquele que fala demais, ou escreve demais para convencer alguém de seu ponto de vista, acaba se tornando enfadonho e perde totalmente a credibilidade. Falar pouco, mas ter segurança no que diz, sem precisar repetir inúmeras vezes o que pensa, é sinal de poder.

Embora pareça o contrário, quem se excede nas palavras, está cada vez mais diminuindo seu domínio ou fascínio.

Nem tudo precisa ser dito. Às vezes, a única coisa que você precisa fazer é ficar em silêncio, esperando que o tempo cure, que o tempo apare as arestas, que o tempo traga entendimento.

Quanto mais você tenta controlar, mais as coisas fogem de você. Quanto mais você deixa as palavras jorrarem indiscriminadamente de sua boca, mais você perde. Quanto mais você deixa a emoção conduzir, menos razão você tem. Quanto mais textão você envia, mais maçante você se torna.

É preciso silenciar para escutar a nós mesmos também. Para que no silêncio algumas respostas sejam encontradas, e para que, na quietude da nossa mente, algumas coisas nasçam e outras se despeçam.

Quanto mais você se explica, se justifica, tenta convencer alguém de algo ou busca se posicionar através do excesso de palavras, menos ouvido você é. Se algo te atinge, te afeta ou te desmerece, se posicione em poucas palavras e se afaste. O tempo e a ausência são excelentes peneiras do que deve ir e do que deve ficar.

Por mais que tentemos fugir ou negar, a vida é um jogo. E está cheia de regras invisíveis que poucos conhecem. Um dos segredos que torna alguém um jogador poderoso é saber silenciar na hora certa, ou evitar se desgastar e tornar-se patético através do excesso de palavras ou cobrança. De tanto errar, dar cabeçadas e fazer jogadas ruins, alguns de nós aprendem. Infelizmente, algumas partidas já foram encerradas quando isso acontece, mas certamente essa pessoa não errará novamente na partida seguinte.

Pare de cobrar atenção, atitudes e sentimentos. Quanto mais você cobra, mais distante o outro ficará, e menos você terá. Baixe a guarda das expectativas, deixe as cobranças em off, diminua o foco das carências. Solte, silencie, se afaste. Deixe de ser insistência e passe a ser abstinência.

Finalmente, cuide de você. Há um silêncio contido em cada um de nós, e de tempos em tempos é preciso visitar esse lugar de descanso e quietude que nos habita. Feche as persianas, acenda uma vela, respire fundo. Deixe o silêncio lhe falar. Deixe o silêncio lhe mostrar o que deve ficar e do que você precisa desapegar…

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Fabíola Simões
Escritora mineira de hábitos simples, é colecionadora de diários, álbuns de fotografia e cartas escritas à mão. Tem memória seletiva, adora dedicatórias em livros, curte marchinhas de carnaval antigas e lamenta não ter tido chance de ir a um show de Renato Russo. Casada há dezessete anos e mãe de um menino que está crescendo rápido demais, Fabíola gosta de café sem açúcar, doce de leite com queijo e livros com frases que merecem ser sublinhadas. “Anos incríveis” está entre suas séries preferidas, e acredita que mais vale uma toalha de mesa repleta de manchas após uma noite feliz do que guardanapos imaculadamente alvejados guardados no fundo de uma gaveta.

3 COMENTÁRIOS

  1. Sempre estou passando por aqui, suas palavras me dão uma sacudida e me faz ver as coisas de uma outra maneira, eu precisava ler tudo isso e preciso por tudo isso em prática. Preciso praticar o silêncio. Preciso apreciar mais minha quietude. Comprei seu novo livro e ele é maravilhoso.

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