Há caos de todo tipo, e de vez em quando a gente quer pagar o preço do tumulto em nossa vida, pois ele nos desacomoda, nos desestabiliza, nos tira do chão, mas também nos faz voar e nos sentir mais vivos.

Há bagunças que são muito bem vindas, pois apesar de causarem transtorno, angústia e confusão, te desacomodam como um trator que vem revolver a terra, cavar bem fundo, trazendo à tona um você que é mais você que aquele que te encara no espelho todos os dias.

Há desordens que te arrancam da poltrona, transformam sua forma de enxergar a vida, te desestabilizam e fazem você perder o controle da própria existência. Você revê toda sua trajetória, questiona suas escolhas, e entende que certas coisas acontecem para te aproximarem de uma versão sua que precisava ser descoberta e amadurecida.

Algumas vezes precisamos ter a vida embaralhada de alguma forma para entender que não temos o controle sobre tudo, para perceber que a existência nos cobra de maneiras inimagináveis, para aprender que por mais que desejemos ter a vida organizada e equilibrada, há uma porção de nós que atrai e é atraída pelo caos…

Como um parque de diversões que nos convida com suas cores, luzes, sons e muita adrenalina, a desordem atrai, mas em excesso nos rouba a paz. Por algum tempo é bom ter a vida desobedecendo a planilha, o coração-tamborim no peito, as emoções desordenadas. Mas até que ponto você consegue conviver com tamanha desordem?

Segundo a Wikipédia, “montanha-russa é uma atração popular que consiste basicamente em uma estrutura de aço que forme uma pista composta por elevações seguidas de quedas e por vezes inversões impulsionadas pela velocidade proveniente de uma descida ou lançamento impulsionado.”. Como boa ariana com ascendente em sagitário que sou, amo montanhas russas – quanto mais ousadas, melhor. Porém, depois de repetir o brinquedo vezes seguidas, ele me causa dor de cabeça e tontura. Assim, aprendi o meu limite. Ao contrário de mim, algumas pessoas não toleram emoções fortes, e talvez rejeitem qualquer tipo de adrenalina. Na vida, as coisas funcionam da mesma forma. Algumas pessoas irão adorar “loopings e shuttles”, enquanto outras não suportarão qualquer nível de subida ou descida. Assim, é preciso haver empatia para reconhecer que o que é tranquilo para mim nem sempre será tranquilo para você (e vice versa), e se eu digo que algo me machuca, me confunde, me causa medo ou bagunça meu coração, isso deveria ser levado em consideração por você, mesmo que isso não te machuque, nem confunda, nem cause medo, nem bagunce seu coração. Isso deveria ser levado em consideração e não tratado como drama ou mimimi.

Algumas pessoas entram em sua vida, bagunçam tudo, e não ficam para ajudar a organizar a desordem. Depois de algum tempo, você consegue recolocar ordem no caos, e essas pessoas voltam, querendo badernar tudo novamente. Pode ser tentador autorizar a volta por um momento, mas vale correr o risco?

Se custa a tua paz, então é caro demais. Só você sabe o seu limite, até onde você pode ir, até onde você tolera. E, acima de qualquer pessoa, você precisa ter responsabilidade afetiva com você mesmo. Perder o equilíbrio por amor é bom por algum tempo, mas se está te desgastando além da conta, é hora de rever essa matemática.

Quem te quer não some quando as coisas ficam difíceis, nem esfria quando você se aproxima. Quem te quer, ajuda a arrumar a bagunça que causou e tem empatia pelo sentimento que despertou. Enfrenta com você a desordem e te ajuda a recuperar a paz.

Se estar com alguém custa a tua paz, e esse alguém não consegue entender o preço alto que você está pagando pelo relacionamento, se não te ajuda a enfrentar a bagunça que causou com empatia e tolerância, então é caro demais…

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Fabíola Simões
Escritora mineira de hábitos simples, é colecionadora de diários, álbuns de fotografia e cartas escritas à mão. Tem memória seletiva, adora dedicatórias em livros, curte marchinhas de carnaval antigas e lamenta não ter tido chance de ir a um show de Renato Russo. Casada há dezessete anos e mãe de um menino que está crescendo rápido demais, Fabíola gosta de café sem açúcar, doce de leite com queijo e livros com frases que merecem ser sublinhadas. “Anos incríveis” está entre suas séries preferidas, e acredita que mais vale uma toalha de mesa repleta de manchas após uma noite feliz do que guardanapos imaculadamente alvejados guardados no fundo de uma gaveta.

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