Perdoar está bem longe de ser um gesto que traga paz de espírito para quem te magoou e jogou o seu emocional lá embaixo.

O perdão primeiro é pra você. Para tirar esse sentimento de culpa de não ter percebido antes os erros de alguém ou mesmo para que você não se sabote.

Vamos combinar que normalizar o perdão como ação de uma atitude de nobreza e engrandecimento não é saudável? Podemos?

Porque você vai dizer que perdoa de coração, mas no fundo o ranço continuará e também porque fornecer gratuitamente o perdão para quem te prejudicou premeditadamente é passar pano na autocrítica de quem errou feio e precisa pensar.

Eu sei que há exceções e este texto não tem o intuito de generalizar ou ditar como cada um administra os próprios sentimentos. Mas ele tem sim alguns fundos de verdade e você sabe.

Quem nunca perdoou, mas com a boca entalada pra dizer mais do que tá tudo bem, vida que segue? Que nunca foi perdoado e pensou logo depois – pisei na bola feio e ainda assim me saí bem?

Essas situações não são nenhuma novidade para quem quer que seja. Você aprende com as emoções engasgadas da mesma forma como as emoções transbordantes.

Perdoar é um processo de autoconhecimento que você decide por você, e não por causa de alguém. Enquanto perdoar for apenas um gesto pra alimentar ego, você só vai adiar o inevitável: o definhar do seu melhor.

Perdoar é maravilhoso na embalagem, mas preciso existir um sentido no seu conteúdo. Respeite o seu perdão, como respeita qualquer outro compartimento emocional do seu coração.

Imagem de capa: Lina Trochez via Unplash

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Guilherme Moreira Jr
"Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro"

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