No último sábado fui arrebatada por Frida – o filme e o livro – e sua história de dor e amor.

Seu relacionamento com Diego Rivera foi intenso, avassalador, capaz de trazer à tona o melhor e o pior de Frida. As infidelidades do artista mexicano eram algo com que Frida desejava lidar bem, com espírito generoso e mente aberta, mas que na prática mexiam demais com seu sangue latino e alma sensível.

Num dado momento de sua história, Frida se dirige a Diego e diz: “Eu tive dois grandes acidentes na vida: o ônibus e você. E você foi o pior”.

Se o acidente causou feridas profundas e dolorosas no corpo de Frida, o relacionamento com Diego foi um golpe ainda mais duro, marcando profundamente sua alma.

Quando se casaram, Diego não prometeu fidelidade à Frida. Por amor a ele, ela aceitou o combinado, imaginando que daria conta de lidar com as “puladinhas de cerca” do marido. Porém, na prática, ela padeceu demais.

Alguns combinados são impossíveis de se cumprir. Quando envolvem amor, paixão, desejo… é muito difícil garantir que iremos nos manter frios e indiferentes frente à ameaça de perda de alguém.

Amar muito alguém não significa que você ama a relação que tem com essa pessoa. E para continuarem se amando, talvez vocês tenham que entender que não funcionam bem juntos. Ou aceitar que esse não é o momento. Deixar ir para ter uma chance de se amarem mais e melhor num outro tempo.

Vocês podem ser o amor da vida um do outro, e nem por isso ficarem juntos. Algumas histórias nascem para ensinar algo, não para darem certo.

Você perde o sono e se pergunta porque vocês não conseguem se entender, já que quando estão perto, o riso é certo; mas distantes, falam idiomas diferentes. Quando juntos, a alma aquieta; mas longe, o coração dilacera. O beijo te derrete, mas a língua de aço e as palavras ditas te ferem.

Há uma contradição dolorosa em amores assim. Enfeitiçam com a beleza, atração, encantamento, arrebatamento. Hipnotizam com a dificuldade, impossibilidade, desejo. Mas também dilaceram, expõem suas partes mais vulneráveis, ferem, deixam em carne viva. Perdê-los amedronta, tê-los dói. Você prefere ter esse amor que machuca a não ter nada.

Há um tempo para cada coisa embaixo do sol. Ir embora antes do coração aceitar o que a razão já decidiu não alivia as coisas, só piora. Então respeite seu compasso, a maturação da sua decisão, o seu ritmo. Se você acredita que ainda há uma razão para permanecer, respeite. Não adianta fugir, se entregar a outros corpos, pegar um avião e mudar de país.

A cura vem quando o coração entende o que já foi decidido na mente.

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Fabíola Simões
Escritora mineira de hábitos simples, é colecionadora de diários, álbuns de fotografia e cartas escritas à mão. Tem memória seletiva, adora dedicatórias em livros, curte marchinhas de carnaval antigas e lamenta não ter tido chance de ir a um show de Renato Russo. Casada há dezessete anos e mãe de um menino que está crescendo rápido demais, Fabíola gosta de café sem açúcar, doce de leite com queijo e livros com frases que merecem ser sublinhadas. “Anos incríveis” está entre suas séries preferidas, e acredita que mais vale uma toalha de mesa repleta de manchas após uma noite feliz do que guardanapos imaculadamente alvejados guardados no fundo de uma gaveta.

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