Nessa vida há caminhos e caminhos. Alguns necessários, porém áridos e difíceis; outros fáceis de trilhar, com sombra e vista agradável, porém sem levar a nenhum lugar.

De vez em quando sabemos que teremos que enfrentar um caminho árduo e íngreme, mas ele nos dará a vista mais bonita e plena ao final da jornada. Outras vezes, nos deparamos com um caminho agradável e atraente, com uma brisa suave nos convidando para a travessia, mas a medida que avançamos, percebemos que nos enganamos: o caminho se torna difícil, doloroso e intolerável. Insistimos, temos saudade do início em que tudo era perfeito, mas pouco a pouco percebemos que aquela trilha do princípio não existe mais.

Há momentos em que escolhemos um caminho porque alguns nos disseram que aquela era uma boa direção. Escolhemos por ouvir a voz da experiência e da razão. Ao escolher esse caminho seguro e previsível, podemos acertar ou nos enganar. Pois o que foi bom para aqueles que nos antecederam nem sempre será o melhor para nós. Com sorte, nos adaptamos. Com sabedoria, o transformamos naquilo que nos agrada.

Há ainda caminhos que ninguém trilhou, que ninguém sabe onde vai dar, mas de alguma forma essa trilha nos convida de um jeito que é impossível recusar. Ela simplesmente nos chama, e sentimos que ali é nosso lugar.

Existem caminhos que percorremos sem prestar muita atenção, e quando olhamos para trás percebemos que ele teve sua função, ainda que no momento não tenhamos levado em consideração.

Há caminhos que nos machucam e caminhos que nos salvam. Há caminhos que nos confundem e caminhos que nos dão a certeza de que estamos na jornada certa.

Há caminhos que nos fazem morrer lentamente, mas nem sempre conseguimos parar e dar marcha a ré porque nos fundimos ao chão da estrada que pisamos e não temos mais ideia de quem somos, e nem de que há outras opções de trilhas. Porém, recuar e tentar o desconhecido não significa desistir, e sim dar uma nova chance aos nossos pés.

Alguns caminhos duram apenas alguns instantes, mas nos transformam e ficam na lembrança eternamente. Há caminhos que nos aproximam do eterno, e caminhos que nos roubam a alma. Há caminhos que nos fazem evoluir e voar, e caminhos que são como caneleiras de aço presas aos nossos pés diminuindo a força de nosso passo. Há caminhos que nos libertam, há caminhos que nos aprisionam. Há caminhos que nos tornam pessoas melhores, há caminhos que destroem nosso amor próprio.

O escritor e antropólogo Carlos Castañeda (1925-1998) tem um poema lindo que diz:

“Um caminho é só um caminho,
e não há desrespeito a si
ou aos outros em abandoná-lo,
se é isto que o coração nos diz…
Examine cada um com muito cuidado e deliberação.
Tente-o muitas vezes, tanto quanto julgar necessário.
Só então pergunte a você mesmo, sozinho, uma coisa…
Este caminho tem coração?
Se tem, o caminho é bom,
se não tem, ele não lhe serve.
Um caminho é só um caminho.”
(Carlos Castañeda)

Concordo com Castañeda. Algumas vezes, não percebemos como fomos parar no meio de um caminho confuso, cheio de encruzilhadas, com setas indicando opções em todas as direções. Nesses momentos, se pergunte qual travessia tem um coração. Feche os olhos, silencie, se pegue pela mão e, mesmo contrariando a razão e longe de qualquer opinião, descubra qual direção te aproxima da sua verdade. Aquela verdade tão sua que, mesmo significando muita luta e dificuldade, te trará paz e brilho no olhar. Assim, quando tudo parecer confuso, não hesite em perguntar: esse caminho, mesmo sendo um salto no escuro, tem um coração?

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Fabíola Simões
Escritora mineira de hábitos simples, é colecionadora de diários, álbuns de fotografia e cartas escritas à mão. Tem memória seletiva, adora dedicatórias em livros, curte marchinhas de carnaval antigas e lamenta não ter tido chance de ir a um show de Renato Russo. Casada há dezessete anos e mãe de um menino que está crescendo rápido demais, Fabíola gosta de café sem açúcar, doce de leite com queijo e livros com frases que merecem ser sublinhadas. “Anos incríveis” está entre suas séries preferidas, e acredita que mais vale uma toalha de mesa repleta de manchas após uma noite feliz do que guardanapos imaculadamente alvejados guardados no fundo de uma gaveta.

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