Na última semana, recebi um pedido especial da Lúcia, que enviou uma mensagem contando sua dor ao perder o avô e o irmão para o Covid-19.

Aproveitando o triste ensejo, dedico essas palavras para todas as pessoas que enfrentaram, enfrentam e enfrentarão essa dor nos próximos meses.

Lúcia, leitora querida, não tenho condições de me colocar no seu lugar de fala. Primeiro, e obviamente, porque não posso imaginar sua dor. Segundo, claro, porque a respeito de tal modo que não quero arriscar amenizá-la de alguma forma.

Vim aqui apenas para lhe oferecer meu abraço carinhoso, minha fé e esse texto – que é o que tenho de mais bonito para lhe dar.

Não possuo a receita certa para ajudá-la a superar tudo isso, afinal, ela não existe. Perder quem amamos é morrer um pouco também, é ter que deixar ir sem querer, é colocar sal na ferida, rasga o peito, é doloroso, é injusto, não deveria acontecer.

Mas, diante de todo esse pesadelo que o mundo vive, infelizmente, muitas pessoas boas serão levadas de nós. A única certeza que tenho é que você pode escolher no que acreditar. E muitos acreditam que a pandemia tem um propósito maior, assim como os grandes desastres e acidentes.

Bom, eu acredito. (Veja bem, isso não me deixa menos triste, mas me dá um pouquinho de resiliência).

Porém, também acredito que seja difícil enxergar esse caminho no horizonte diante de tamanha dor. Mas, olha só, precisamos encontrar saídas de esperança ou pereceremos diante de uma doença que não tem cura: a saudade.

Chico Xavier, e não importa a sua crença, apenas entenda esse outro ponto de vista: o médium deixou a mensagem de que bons homens, mulheres e crianças darão a vida para que um processo de humanização aconteça.

É evidente que esse processo já começou.

Eu sei, está doendo muito aí dentro, eu sei. Mas, apenas acompanhe o que quero lhe dizer. Acredito que todos nós temos uma missão. E, antes de iniciarmos essa trajetória aqui e agora, entendemos e aceitamos nosso grande desafio e papel no mundo.

Quero acreditar que tanto Plínio, como Carlinhos, seu avô e irmão, e todos os outros que nos deixaram nesse momento difícil, entendiam, mesmo que inconscientemente, o quão importante era dar esse passo.

Isso só me faz percebê-los grandes, imensos, gigantes e muito, muito corajosos. Sei que é cedo para compreenderes isso, também sei que essa pode ser uma fé que não lhe pertence, não sei no que você acredita.

Queria tanto, mas tanto lhe indicar um xarope para a saudade, mas não conheço. Se soubesse de algum, acredite, já teria tomado muitas vezes.

O que conheço é a oração, a conexão com o universo, com o poder superior, com seu Deus, independente de onde ele venha ou em qual templo, igreja ou casinha ele habita. O que importa é que ele esteja aí dentro do seu coração.

Peça aos anjos que acalmem seu peito doído, não sinta raiva, nem alimente sentimentos negativos. Deixe seus amores seguirem em paz para algum lugar no céu – que deve ser como dizem os filmes: azul, transparente, bonito e cheio de luz.

Sinta-se abraçada, fortemente abraçada. Orgulhe-se de quem aceitou a missão de dar a vida por um pouco mais de humanidade. E, se não quiser acreditar em nada disso, fique apenas com meu abraço.

Se não fizer sentido, esqueça esse texto e me abraça forte.

Vai passar. Eu prometo.

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Photo by Bogdan Shcheglovitov on Unsplash

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Ju Farias
Não nasci poeta, nasci amor e, por ser assim, virei poeta. Gosto quando alguém se apropria do meu texto como se fosse seu. É como se um pedaço que é meu por direito coubesse perfeitamente no outro. Divido e compartilho sem economia. Eu só quero saber o que realmente importa: toquei alguém? É isso que eu vim fazer no mundo.

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