O amor não acontece por insistência. Às vezes você precisa soltar para ver o que acontece. Toda vez que forçamos uma situação, saímos um pouco mais machucados. Isso acontece quando tentamos calçar um sapato de um número menor que o nosso, ou quando insistimos num relacionamento sem vontade ou disposição da outra parte.

Clarice Lispector, no livro “A Hora da Estrela”, tem uma frase que diz: “O vazio tem o valor e a semelhança do pleno. Um meio de obter é não procurar, um meio de ter é o de não pedir”. Acredito nisso também. Não fazer nada também é uma ação, e pode ser a melhor solução para alcançar o que desejamos. Soltar, deixar ir, libertar, silenciar e nos afastar também são meios de obter sem pedir ou cobrar.

Silenciar, dar espaço para as emoções se acomodarem e a saudade bater, não atropelar tudo com textão e excesso de mensagens, deixar o afastamento mostrar o que é realmente importante e soltar para ressignificar os sentimentos (nossos e da outra pessoa) são atitudes nem sempre fáceis de tomar porque estamos acostumados a agir, a atropelar tudo com proatividade, ansiedade e antecipação. Porém, precisamos aprender a recuar. A silenciar. A esperar. A simplesmente confiar e deixar que o tempo tome conta.

A gente precisa aprender a dar espaço para as coisas acontecerem. Fazer a nossa parte e depois sossegar a mente e o coração. Nem tudo está sob nosso controle, e interferir naquilo que não está sob nosso domínio pode atrapalhar o curso das coisas. Solte, deixe ir, dê espaço para Deus agir.

Quando agimos com excesso de presença e de palavras, muitas vezes mascaramos o que de fato está acontecendo. Assim, de vez em quando é necessário dar alguns passos para trás para descobrir o que o outro realmente sente. Recue e espere. Segure a ansiedade e veja se há reciprocidade. Manter uma pessoa ao nosso lado por insistência não é digno. Deixe ir. Não insista. Se tiver que retornar para você, não foi porque você insistiu ou prendeu, e sim porque você deixou livre e desejou o melhor para a pessoa que se foi.

Não seja um mendigo afetivo. Não se alegre com migalhinhas virtuais nem comemore likes ou visualizações como se fossem provas de amor. Entenda que você merece um amor inteiro, disposto a se doar tanto quanto você se doa. Para isso, não se afobe. Dê espaço para o outro desejar você.

Então lembro Chico Buarque, cantando com sentimento: “Não se afobe, não. Que nada é pra já. O amor não tem pressa, ele pode esperar em silêncio…” e penso que é isso mesmo.  Enquanto o amor não chega, sossegue o coração e cuide de você. Não abandone seus sonhos, seus planos, seus gostos, aquilo que faz seus olhos brilharem. Não tenha pressa, não queira chegar na frente, atropelando tudo e impedindo o outro de agir. O desejo surge da falta, e não da insistência.

Finalmente tenho que concordar com Guimarães Rosa, em seu livro “Grande Sertão: Veredas”, quando diz: “O que tem de ser tem muita força, tem uma força enorme”. Se realmente existe amor, se realmente for para vocês ficarem juntos, não há tempo nem distância que separe. Confie no tempo, confie nas linhas tortas que levam ao destino certo, confie nos rumos que o Universo arranja para as coisas acontecerem. O que tem que ser, tem muita força.  

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Fabíola Simões
Escritora mineira de hábitos simples, é colecionadora de diários, álbuns de fotografia e cartas escritas à mão. Tem memória seletiva, adora dedicatórias em livros, curte marchinhas de carnaval antigas e lamenta não ter tido chance de ir a um show de Renato Russo. Casada há dezessete anos e mãe de um menino que está crescendo rápido demais, Fabíola gosta de café sem açúcar, doce de leite com queijo e livros com frases que merecem ser sublinhadas. “Anos incríveis” está entre suas séries preferidas, e acredita que mais vale uma toalha de mesa repleta de manchas após uma noite feliz do que guardanapos imaculadamente alvejados guardados no fundo de uma gaveta.

2 COMENTÁRIOS

  1. Querida Fabíola,

    Ando atormentada por pensamentos negativos sobre uma certa situação na minha vida que não se desenrola, apesar de sentir que, sim, sou correspondida.

    Encontrei o seu texto por acaso, mas devo dizer que foi um alívio muito grande lê-lo e me lembrar de algo primordial e que há muito havia esquecido: o que é nosso por direito (amores, oportunidades, relacionamentos, etc…) NADA e nem NINGUÉM é capaz de roubar! Nossa personalidade e história de vida são o que ajudam a construir os indivíduos que somos e nos tornam únicos no meio de multidões.
    Acreditar em nós mesmos, na nossa originalidade é também uma forma de amor-próprio. Soltando, mostramos ao universo que nos amamos, acreditamos em nós e nesta oportunidade, neste relacionamento.

    Gratidão pelo texto!!!

  2. Seus dois ultimos textos estão maravilhosos. Esse é lindo. Acredito nisso e fiz isso essa quarentena. A verdade é que a outra parte não gostava de mim de verdade, começou a namorar outra pessoa. E, após tantos anos, entendi: Não era para mim. E tudo bem…Vamos ver o que vem pela frente. Tem que ter fé!

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