A tão temida depressão. O mal, a doença antes silenciosa que passamos tanto tempo negligenciando, fingindo mesmo que ela não existia ou, como muitos têm a falta de amor em dizer – que é frescura. Depressão não é frescura.

Depressão também não é somente fazer terapia e tomar medicamentos. Apesar da condição orgânica da coisa, e é difícil demais para algumas pessoas entenderem, a depressão também parece que a sua alma está ao avesso e o seu coração está sendo constantemente sufocado. E essas são descrições doídas de contar e descobrir. Há muito mais sentir dentro da depressão que sequer sabe quem sofre dela, quem a estuda ou apenas quem convive com alguém que a tem.

A depressão é uma ausência total de acolhimento, e acolhimento não se resume em abraços ou palavras carinhosas. Às vezes acolher alguém com depressão não encaixa em resposta alguma. Então ninguém deve fazer nada? Não sei. Esse é o grande x. No fundo, ninguém sabe com toda a certeza. Por quê? Porque a depressão é uma doença que gera monstros internos diferentes por pessoa. Não dá pra chegar e catalogar os vários. Padronizar quem sofre de depressão é a pior coisa do mundo, é o pior julgamento e tratamento que alguém pode oferecer, seja especialista ou não no assunto.

A última vez que fui numa psiquiatra, ela me fez perguntas padrões, mal olhou nos meus olhos e me receitou remédios. Sem generalizar, esse foi um caso, mas entendem o que quero dizer sobre o olhar, sobre a sensibilidade? E de sensibilidade, confesso, entendo bastante. Já teve quem dissesse que sensibilidade era dom, mas talvez soe mais uma percepção descolada da realidade. E quando a depressão bate, gente, imagine pular do lugar mais alto que você conhece e não saber se vai chegar até o fim. A sua mente ignora tudo. A depressão te coloca em modo avião dentro de você mesmo.

Chorar não é opcional. Nada negativo é opcional. Quem sabe um dia, alguém se proponha a diagnosticar quem não sofre de depressão. Porque essas pessoas precisam saber se estão ou não preparadas para lidar com alguém depressivo. Talvez assim, vários danos emocionais para as partes envolvidas possam ser de fato evitados. Pelo menos diminuiria a dor da solidão que é existir.

Imagem de capa meramente ilustrativa: Her (2013) – Dir. Spike Jonze

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Guilherme Moreira Jr
"Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro"

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