Às vezes a gente está tão perdido e confuso internamente com a gente mesmo que prefere se afastar para não machucar o outro. Esse é um gesto de amor também.

Porém, na era dos joguinhos, blocks e cancelamentos, sumir do mapa, silenciar ou deixar de procurar alguém parece ser unicamente estratégia ou desinteresse, mas muitas vezes pode ser autopreservação e responsabilidade afetiva consigo mesmo.

Nem sempre o amor é um terreno de paz e sintonia. Muitas vezes é um campo minado de dor e desentendimento, e mesmo havendo afeto, em algum momento necessita de trégua – silencio, recolhimento e distanciamento – para então se tornar lugar de acolhimento.

Algumas coisas são muito nossas. Incomunicáveis. E estar em paz com esse emaranhado de nós também é equilíbrio. Pausas são necessárias. Silêncio e recolhimento também. Não se culpe por buscar a paz que você necessita para se ter de volta. Você importa.

Eu não poderia estar bem com você se ainda não estou bem comigo. Está tudo embaralhado aqui dentro. Fez-se noite ao meio dia, e na madrugada desperto como se fosse hora de acordar. Não sei se quero nós dois novamente, ou se me apeguei à ideia de que amo continuar amando você. Está tudo bagunçado aqui dentro. Como um quebra cabeças de mil peças, me vejo montando o contorno e as bordas, mas o centro continua confuso e indefinido. Está tudo embaralhado aqui dentro.

As coisas têm a hora certa de chegar. Não se torture com meu silêncio nem imagine que faço dele um jogo. Ainda que eu nada diga, é como se eu sempre dissesse alguma coisa. A verdade é que o casulo é lugar de mudança e restauração, e troco o orgulho e a vaidade pelos recomeços.

Às vezes é preciso machucar um pouco mais nosso coração, deixar rolar um tanto mais nosso pranto, doer um pouco mais nosso corpo e silenciar mais a nossa mente para enfim voltarmos à superfície. Cada um tem seu tempo e seus processos, mas a cura sempre chega num momento ou outro.

Mas então chega o domingo e domingo é dado a silêncios, e me traio querendo sair do meu casulo sem estar pronta para os recomeços; e me contradigo querendo saber notícias suas e do mundo; e me desminto desejando trégua do meu afastamento. É preciso suportar os domingos. É preciso estar em paz com a falta de respostas. É preciso suportar os domingos.

Entre a ruptura e o reencontro, busque o silêncio. O silêncio que não pune, mas cura. O silêncio que não joga, mas nos permite redimensionar os fatos. O silêncio que não é estratégia, mas nos preserva e resguarda o outro de nossas emoções impulsivas e negativas. O silêncio que não quer mandar recados, mas dizer ao nosso ouvido aquilo que precisamos aprender. O silêncio que não tem a intenção de torturar ninguém, mas de nos ajudar a decidir os rumos de nosso coração.

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Fabíola Simões
Escritora mineira de hábitos simples, é colecionadora de diários, álbuns de fotografia e cartas escritas à mão. Tem memória seletiva, adora dedicatórias em livros, curte marchinhas de carnaval antigas e lamenta não ter tido chance de ir a um show de Renato Russo. Casada há dezessete anos e mãe de um menino que está crescendo rápido demais, Fabíola gosta de café sem açúcar, doce de leite com queijo e livros com frases que merecem ser sublinhadas. “Anos incríveis” está entre suas séries preferidas, e acredita que mais vale uma toalha de mesa repleta de manchas após uma noite feliz do que guardanapos imaculadamente alvejados guardados no fundo de uma gaveta.

3 COMENTÁRIOS

  1. Verdade. Nem sempre a guerra vale a pena e desertar do conflito também é uma estratégia. Mesmo porque, imprescindível reunir os pedaços, cacos de lutas perdidas, para não se perder de novo.Permitido chorar se essa for a maneira de se exprimir e respirar no meio de silêncios demais. Desertores as vezes são os mais sábios, ainda que nao sejam condecorados por isso.

  2. Às vezes, a pessoa tem que entrar no modo “eremita” para poder se entender e entender o que está se passando em sua vida e a sua volta.

  3. Faz todo sentido!
    É uma pena que o mundo sempre cobra presença e palavras que não podemos entregar quando pedido, e aí entra o perigo de as pessoas acharem que estamos fazendo joguinhos como você mesma disse.

    “Não adianta tá no bolo, a vida é carreira solo, tô saindo de novo…”

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