Ela sente saudade como qualquer pessoa que alguma vez provou do gosto de algo verdadeiro. E ela sente falta desse sabor, dessa emoção de outrora que fazia com que toda as partes do corpo dela mudassem as próprias moléculas para sensações mais indescritíveis, mas significativas. Ela sente saudade das primeiras vezes, mas também das seguintes. Ela chegou a pensar como seria revivê-las tudo de novo, mas logo abandonou esse pensamento egoísta sobre si mesma.

Com o tempo, ela aprendeu que tudo tem o seu propósito pura e simplesmente e que ficar martelando esses pensamentos no coração é o pior jeito de seguir em frente. O que está totalmente de acordo com o seu novo estilo de vida: ser livre. Não que ela estivesse presa fisicamente ou mesmo metaforicamente, mas existia um pesar dentro dela que a impedia de apenas ser. Doía antes e ainda dói imaginar tais amarras, no entanto, aos poucos, ela vem se redescobrindo e se reconstruindo com a ajuda das suas próprias regras.

Sem mais relacionamentos urgentes e sem mais também daqueles que significariam um porto seguro para quem olha de fora da situação. O ponto aqui não é sobre estar ou não em um relacionamento, é sobre saber se bastar e estar disponível, todos os dias da semana, em todas as circunstâncias, presente pra si mesma. Ela agora conta sempre com ela e, por enquanto, é o amor que a sustenta, que a nutre, que a impulsiona. Se ela tem medo mesmo assim? Claro, quem não teria?

Mas o medo que ela vive não é de ficar sozinha ou de se perder. O medo que ela sente é de não estar em honestidade com quem ela é, com quem ela quer e pode ser. Talvez pareça papo de terapia essa coisa toda e talvez seja, ela não liga. Desde que ela consiga encontrar o seu equilíbrio, a sua forma de encaixar o que pode ser encaixado e de não se importar tanto com o que não tem encaixe, tá tudo bem por ela.

Acho que ela concorda e você concordaria também, que a saudade não é um sentimento ruim. Faz parte da nossa trajetória ter essa ligação com o passado, principalmente o passado bom, o que guarda boas lembranças, boas histórias. Ela entende e aprecia tudo isso, sério. Mas o tempo passou e, como sempre passa, tudo ao nosso redor torna-se diferente, mesmo não parecendo. Com ela é diferente. O tempo não é especial por causa dela. O tempo é essencial pra ela. E é por esse pequeno grande motivo que ela prefere ser liberdade. O que vier, os braços estarão estendidos mas os pés jamais grudados no chão.

Imagem de capa: Toa Heftiba via Unplash

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Guilherme Moreira Jr
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