O pessimismo vem tomando conta de mim. Não tem nada a ver com fé em algo maior e nem com o tapar os olhos para coisas boas, para as inúmeras belezas que habitam por aí. É mais sobre perceber que esse tempo de reclusão está descompensado mais do que somando.

Eu sinceramente não vejo o senso coletivo melhorando quando tudo isso passar. Pelo contrário, talvez fiquemos pior do que entramos. Ou talvez mais verdadeiros, e sendo verdadeiros, acabamos por mostrar que a nossa essência é tão triste e hipócrita que sequer tínhamos noção – ou que fingimos muito bem. Mas por que essa linha de raciocínio? Porque o emocional está flertando fortemente com esse tipo de ausência.

O isolamento vivido agora está escancarando o quanto somos seletivos e atendemos aos principais comportamentos individualistas. A saúde é uma preocupação individual. A empatia é um sentimento individual. A generosidade é um sentimento individual. O amor é um sonho individual. Só se preocupa com a saúde quem quer. Só se empático com quem se importa. Só se é generoso com quem se ganha algo em troca. Só se sonha com o amor possessivo. Toda essa distorção e distração bizarra tornam o pessimismo uma realidade dolorida.

Estamos criticando quem ajuda – uma hora porque é noticiado e dizemos que é ego e outrora porque nunca ajudou antes e resolveu ajudar agora, então só podem existir motivos sombrios por trás. O mundo está definhando e a gente critica ajuda e empatia. Ao mesmo tempo, estamos aplaudindo discursos vazios e vivendo na imaginação fantasiosa das transmissões irresponsáveis que vendem mais do que inspiram e acrescentam. Mergulhamos de cabeça nas atrocidades em exposição, indo em total contrassenso das pessoas e instituições que são especializadas e dedicaram vidas de estudo e pesquisa para analisarem possíveis panoramas. São por descontroles e até escolhas assim que o otimismo não me interessa.

Não adianta dizermos que seremos pessoas melhores depois, quando agora somos piores.

Imagem de capa:
engin akyurt via Unplash

COMPARTILHAR

RECOMENDAMOS



LIVRO NOVO




Guilherme Moreira Jr
"Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro"

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here