Nada de ficar o dia inteiro no celular, no computador ou em videogames. Esses pais estão resgatando as brincadeiras de rua com os seus filhos para combater o vício na tecnologia. Uma iniciativa que começou pequena, mas que já está sendo adotada por vários pais pelo país.

Quem nasceu nos anos 80 e 90 lembra de como era pular amarelinha, andar de carrinho de rolimã, brincar de pega-pega, jogar pião ou queimada – brincadeiras que fizeram parte do cotidiano de muitas crianças daquela época e que são adultos hoje em dia. Mas, infelizmente, pra maioria da geração que veio depois dos anos 2000 principalmente, a existência dessas brincadeiras é praticamente desconhecida.

Por causa de computadores, tablets, celulares e videogames cada vez mais tecnológicos, não existe ou é criado esse interesse das crianças para brincadeiras lúdicas e antigas. Porém, ainda existem pais por aí que não desistiram de passar para os seus filhos a importância das brincadeiras sem o uso da tecnologia.

Tome como exemplo a professora Ana Beatriz Magalhães, 27 anos. Ela é mãe do Samuel, de 4 anos, e Ricardo, de 2 anos, e desde cedo ela tem motiva os filhos a brincarem entre eles, evitando assistirem televisão frequentemente.

Brincadeiras como pintura, massinha, pique-esconde e bola tornaram-se parte da rotina dos filhos dela.

“Nos primeiros dois anos de vida do meu segundo filho, ainda deixávamos a TV ligada enquanto brincávamos com o mais velho. Mas resolvemos cortá-la de vez. Só ligamos e acessamos eletrônicos quando as crianças estão dormindo.”

Ana conta diz que a mudança foi aos poucos e desafiadora. “Mas, após um tempo, percebemos o quão ruim era o tempo gasto na frente da tela.”s

“Busco incentivá-los a brincarem juntos, criando novos jogos. Quando um adulto não pode estar presente, ensino o respeito que devem ter um com o outro. A ausência dos pais não os deixa sem ter o que fazer, pelo contrário, inventam mais coisas para fazerem juntos”, afirma Ana Beatriz.

E pra quem tem a desculpa de morar em apartamento, Ana também diz que isso não atrapalha em nada esse tipo de brincadeira: “Eles descem todos os dias para brincar na quadra ou embaixo do prédio. Não há necessidade de ir para uma casa”, continuou.

A professora ainda completou da importância dessas brincadeiras para uma melhor aprendizagem e desenvolvimento das crianças em outros campos> “Para nós, pais, ensinar brincando é muito melhor do que falar e decorar fatos e coisas. A interação entre os irmãos e primos é sensacional, e não precisamos interferir toda hora na relação entre eles”, ressaltou.

Para Ana, diminuir o excesso de tecnologia dos filhos a ajudou no papel dela como mãe. “Acho que a tela nos tira a obrigação de sermos pais. Ao retomar a nossa vocação, notamos o quão importante é cuidar, de fato, dos bens concedidos por Deus para nós. Pede esforço, dedicação, atenção e amor. Ao final do dia, estamos exaustos, porém, felizes. Uma felicidade que só quem ama de verdade consegue vivenciar”, completa.

Do outro lado você Bruno Lopes, 34 anos e pai de Sofia, de 9 anos e Ulisses, de 4 anos.

Os seus filhos foram os primeiros a participar do projeto, criado por ele para resgatar brinquedos populares, brincadeiras tradicionais e jogos de rua da sua época de infância.

Ele começou o projeto há cerca de 5 anos, quando ele descobriu que as crianças da sua comunidade não tinham o costume de brincara ao ar livre.

“Passei a brincar na rua para influenciar meus filhos, e logo depois motivei os pequenos moradores da minha quadra”, recorda.

Depois, foi a vez dos pais das outras crianças.

“Eles amam a proposta de reviver momentos da infância deles em comunhão com suas crianças. [Nas escolas], gestores e professores são provocados a atuar no brincar de forma mais atenta e consubstanciada, aumentam-se as pesquisas, os estudos e a atuação no lúdico. E, em outro ponto, escolas específicas também reforçam os laços entre instituição de ensino, família e comunidade”, conta com orgulho.

Fonte: Correio Braziliense/Foto de capa: Filipe Lopes/Divulgação Curumim Cultural

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