Essas alunas de uma escola pública de Campinas, no interior de São Paulo, resolveram se unir e estão arrecadando, mensalmente, absorventes para doar para mulheres em situação de rua na cidade.

Tudo começou quando as estudantes fizeram um trabalho de campo e ficaram chocadas ao saber que no período menstrual, as mulheres que vivem nas ruas precisam usar miolo de pão, roupas sujas e até sacolas plásticas para conter o fluxo menstrual. Uma situação precária e lamentável.

Esse trabalho acabou se transformando no projeto denominado “Mulheres Invisíveis”, que pretende dar visibilidade às mulheres sem-teto e aos vários problemas que elas enfrentam.

As autoras do projeto são três estudantes com idades de 16 e 17 anos e que estudam no colégio estadual Culto à Ciência. As jovens se chamam Larissa Silva Oliveira, de 17 anos, Yandra Ribeiro dos Santos, de 16, e Luana Barbosa Moreira, também de 16.

Elas criaram o projeto em uma das disciplinas eletivas (não-obrigatórias) da escola, de iniciação científica, no final de 2019.

Primeiro elas pretendiam criar um absorvente biodegradável para fornecer às mulheres em situação de ruas, mas descobriram um projeto semelhante já existente em uma universidade do Paraná e decidiram criar o “Mulheres Invisíveis”, que arrecada principalmente absorventes diários, mas também aceita outros doados, como itens de higiene pessoal: incluindo desodorantes, pastas e escovas de dente.

A primeira entrega do projeto já foi feita e agora as meninas têm trabalhado para arrecadar mais itens e com o o intuito de fazê-lo mensalmente.

Elas ainda querem ir mais longe vão criar um PL (Projeto de Lei) para tornar obrigatória a distribuição de absorventes em centros de saúde da cidade de Campinas.

“Foi bem chocante a experiência… algumas pessoas têm a cidadania tirada”, afirmou Larissa, uma das alunas. Já Yandra contou que elas criaram uma relação com uma liderança das mulheres que vivem nas ruas e por conta disso, acabaram tendo mais contato com o mundo delas e aprenderam como elas lidam com diversas questões, não só da menstruação.

“O que mais me choca é o fato de que elas têm que se submeter a várias coisas como forma de subsistência. Muitas se prostituem para comprar comida, ou escolhem entre comer ou comprar absorvente na farmácia”, contou Yandra.

Por outro lado, Luana ficou chocada ao saber como elas lidam com período menstrual. Além das sacolas plásticas ou miolo de pão, algumas ficam precisam ficar sentadas no chão enquanto aguardam o ciclo menstrual acabar. Que isso, gente!

“São histórias de abuso físico e sexual, e você vê que o maior motivo das mulheres estarem nas ruas é por abuso do companheiro. Muitas não têm família, amigos, falta apoio”, completou Luana.

A professora que orientou o projeto dessas jovens de grande coração e consciência, Aloísia Laura Moretto, conta que o fato do projeto ter se tornado uma ação social acabou envolvendo toda a escolha, influenciando também alunos de outras turmas e séries, pais e professores de outras matérias.

Que ideia excelente pra gente espalhar por todas as cidades do país, não?

Com informações do ACidadeOn

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