Uma amiga me lembrou esses dias que há pouco tempo eu dizia com toda certeza do mundo que não encontraria alguém, que não iria me prender e que, na medida do possível, ia silenciar o peito e esvaziar a cama. Depois de tanto silêncio e de me desviar de histórias sem futuro, eis que um par de olhos inacreditáveis surgem refletindo E X A T A M E N T E, tudo que eu esperava encontrar.

Sempre disse que as coisas boas acontecem quando a gente limpa os olhos e se livra do querer, e só quando não estamos cegos pela necessidade que conseguimos enxergar as coisas bonitas que a vida propõe; é como aquele velho clichê sobre plantar um jardim; se tornar um jardim com cada coisa em seu lugar leva tempo, dá trabalho e nem sempre fica perfeito, mas sempre chega a primavera para trazer luz e cor para quem a gente vai se tornando.

Eu sempre tive orgulho desse meu jeito carregado de boas intenções, de coração despretensioso, de riso fácil e conversa acolhedora. Nem sempre acertei, é evidente, mas vivo carregado pela vontade de ser melhor todo dia. É difícil lidar com uma história intensa, principalmente nesse mundo cheio de julgamento e apego à primeiras impressões e escasso de responsabilidade afetiva e empatia.

O amor requer um pouco de sorte ou magia pra conectar os corações certos; é porque embora a vontade de estar junto e querer dar certo seja importante, amar requer uma soma de pequenos detalhes que fazem tudo se encaixar. A grande verdade é que o amor não vai esperar você estar preparado pra aparecer na sua porta, vai chegar no meio dos seus planos, te fazer engolir seus discursos, vai te deixar completamente vulnerável, mas, vai aos pouquinhos se encaixando no meio das suas dores e curando cada uma das suas feridas.

Você ainda pode escolher deixar ir e aceitar uma saudade urgente no meio de uma segunda-feira, pode se acovardar diante das lutas que o amor exige, com o mundo e conosco mesmos. Acredite, quando for amor, vai dar certo. Você pode fechar a porta e até as janelas, mas ainda é possível ver como tudo fica lindo lá fora quando o amor vem pra ficar.

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Capa: reprodução autorizada- Instagram do autor

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Giovane Galvan
Giovane Galvan é taurino, apaixonado e constantemente acompanhado pela saudade. Jornalista, designer, produtor e redator, escreve por paixão. Detesta futebol e cozinha muito bem. Suas observações cotidianas são dramáticas e carregadas de poesia. Gosta do nascer e do pôr do sol, da noite, mesas de bar e do cheiro das mulheres pra quem geralmente escreve. Viciado em arrancar sorrisos, prefere explicar a vida através de uma ótica metafórica aliando os tropeços diários a ensinamentos empíricos com a mesma verdade que vivencia. Intenso, sarcástico e desengonçado, diz que tem alma de artista. Acredita que bons escritos assim como a boa comida, servem de abraço, de viagem pelo tempo e de acalento em qualquer circunstância.

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