Existem os finais perfeitos e os finais necessários. E algumas vezes o ponto final acontece antes do fim.
Onde caberia uma vírgula, ponto de interrogação ou reticências, se antecipa o ponto final.

A folha continua, tem muitas linhas em branco até chegar ao rodapé da página, mas preenchê-la até o fim seria diminuir a intensidade do que foi escrito no início.

Não é preciso preencher um caderno inteiro para provar que foi bonito. Às vezes, escrever uma só linha basta.

Algumas histórias nascem para serem curtas, mas isso não diminui a beleza nem a importância.

Insistir em vírgulas quando o ponto final é a única ferramenta possível para fazer a história resistir como uma lembrança inesquecível, é tornar aquilo que poderia ser marcante em algo maçante, que se prolonga além do necessário.

Algumas histórias nascem para serem curtas. Como quando você faz uma viagem para um lugar diferente, lindo e distante. Você se encanta com o frio dilacerante, aplaude o pôr do sol e não se importa de escalar uma montanha para chegar ao topo. A viagem terá curta duração, você sabe, por isso cada instante é vivido com intensidade e emoção. Se, ao contrário, a viagem se torna realidade cotidiana, o prazer se dissipa. E aquilo que seria inesquecível por ter tido um ponto final, se torna apenas mais uma entre as muitas vírgulas rotineiras da sua narrativa.

Pontos finais também são atos de amor. Partir antes do fim também é uma forma de eternizar o que foi vivido. É doloroso, mas insistir em parágrafos somente pela necessidade de chegar à última página transforma o amor bonito em ruínas. Às vezes é preciso finalizar antes da última palavra.

Adoro a frase de Rupi Kaur que diz: “Eu não fui embora porque eu deixei de te amar. Eu fui embora porque quanto mais eu ficava, menos eu me amava.” Partir antes do fim é preservar a porção de dignidade que ainda resta, é poupar o amor de ser lembrado como um fardo, é restaurar o amor-próprio e dar uma chance para que o tempo transforme a dor numa cicatriz-poema, capaz de nos lembrar que viver sem se machucar é o mesmo que viver sem amar.

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Fabíola Simões
Escritora mineira de hábitos simples, é colecionadora de diários, álbuns de fotografia e cartas escritas à mão. Tem memória seletiva, adora dedicatórias em livros, curte marchinhas de carnaval antigas e lamenta não ter tido chance de ir a um show de Renato Russo. Casada há dezessete anos e mãe de um menino que está crescendo rápido demais, Fabíola gosta de café sem açúcar, doce de leite com queijo e livros com frases que merecem ser sublinhadas. “Anos incríveis” está entre suas séries preferidas, e acredita que mais vale uma toalha de mesa repleta de manchas após uma noite feliz do que guardanapos imaculadamente alvejados guardados no fundo de uma gaveta.

2 COMENTÁRIOS

  1. Se um dia a VIDA te fez sofrer. PERDOE ELA está sofrendo igual ou até mais 😥😥. O ORGULHO e o MEDO. Fez com que NÓS seguirmos nossas VIDAS por caminhos DISTINTOS. Se VOCÊ ou EU tivesse tido CORAGEM de ligar para que tudo estivesse esclarecido. Mais DEUS sabe que NÃO teremos NUNCA CORAGEM de LARGA tudo isso pela sua FELICIDADE.

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