Desde de 2018, detentos da Penitenciária de Segurança Média de Viana, no Espírito Santo, participam de um projeto que tem a missão de confeccionar bonecas de crochê para crianças em tratamento contra o câncer da região metropolitana de Vitória, capital do estado.

O projeto tem dado certo e também um novo sentido para a vida dos detentos! Só em outubro deste ano, 150 bonecas foram confeccionadas e entregues para crianças do setor oncológico do Hospital Infantil.

A iniciativa começou quando um vídeo da voluntária Rogéria Aguiar fazendo bonequinhas de crochê chegou nas mãos da juíza da Vara de Execuções Penais de Viana. A voluntária pediu para a juíza estender o projeto aos detentos da penitenciária. A juíza adorou a ideia acatou o pedido na mesma hora!

Desde que lutou e vencer a batalha contra o câncer há dez anos atrás, Rogéria confecciona as bonecas. No presídio, ela finalmente encontrou a ajuda que precisava para produzi-las em maior quantidade.

“Eu tinha patrocínio de linhas, mas não tinha mão de obra. Depois do tratamento todo, eu tive que refazer a minha vida. Eu era professora de matemática e lembrei que aprendi crochê na infância e me refiz fazendo bonequinhas. Comecei fazendo para uma sobrinha minha e quando fui costurar o cabelo da boneca, eu me vi. Deus colocou no meu coração fazer bonecas para doar”, conta.

A voluntária espera trazer alegria e muita esperança para as crianças do Hospital Infantil que vem lutando, às vezes durante longos meses, bravamente para vencer a doença. De quebra, Rogéria ainda ajuda a reduzir o custo do estado em relação aos detentos.

Segundo Roger Santesi Filho, diretor da unidade prisional dos quais os detentos participam da confecção de bonecas, atualmente 100% deles estão ocupados. “Isso traz a questão do comportamento, do trato com os servidores. O número de ocorrência é praticamente zero e a gente tem esse ambiente de integração, onde eles se sentem úteis”, revelou.

Cada participante do projeto, além de integrarem uma atividade honesta de ressocialização, também conseguem diminuir suas penas, todas de crimes de baixa periculosidade.

Para Isaias de Oliveira, um dos detentos, “fazer as bonecas representa mais do que a redução da sentença”.

“Quando eu estou fazendo um trabalho desse daqui eu estou colocando nele a minha emoção, meu sentimento. Então cada ponto desse significa o que eu estou desejando para a pessoa que vai recebê-lo”, declarou.

Já outro detento, Hiago Nascimento, jamais havia pegado em uma agulha de crochê até entrar para projeto. Com apenas algumas aulas, ele conseguiu aprender a confeccionar a sua primeira boneca, tendo assim uma possibilidade de conseguir um emprego futuro.

“É gratificante saber que eu estou fazendo essas bonecas para crianças que estão com dificuldade. Mudou muita coisa. A gente adquire sabedoria também. É uma profissão também”, disse Hiago.

Já para o interno Roberto Fraga, que sofre de depressão, “fazer as bonecas fez com que conseguisse reduzir a medicação e tem ido com menos frequência para o hospital”.

“Eu sou depressivo e ansioso. Esse trabalho me ajuda muito, porque é uma terapia que a gente tem para vencer esses problemas que a vida coloca diante da gente. Quando chega a noite, depois de um dia de trabalho cansativo e coloca sua cabeça no travesseiro, a gente pensa que esse brinquedo vai causar uma alegria nessa criança que ela vai esquecer a doença. Isso é muito importante para nós”, contou.

Rogéria enxerga uma rede de solidariedade que beneficia a todos no projeto.

“Eu faço esse trabalho voluntário tanto no presídio quanto nos hospitais. Aqui, às vezes, eles têm vida e estão pensando em tirar a vida em função do que estão passando. Lá, eles estão lutando para viver um dia a mais. Então, que aqui eles possam dar valor a vida independente de onde estão porque o nosso presente é o hoje e temos que agradecer por estamos vivos.”

Fonte: G1/Fotos: Luciney Araújo/TV Gazeta

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